“Talvez eu queira um pouco de ‘chatice’ no meu portfólio”, diz gestor sobre Europa

Segundo Marc Forster, head Brasil da Franklin Templeton, gestores estão cada vez mais atentos ao mercado europeu

Osni Alves

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O aperto regulatório e a escalada das incertezas nos Estados Unidos após o tarifaço abriram uma janela inesperada: investidores globais passaram a migrar para mercados historicamente vistos como mais “chatos” — e, por isso mesmo, mais estáveis.

A Europa emergiu como o principal destino desse fluxo, especialmente no segmento de crédito estruturado, segundo Marc Forster, head Brasil da Franklin Templeton.

Forster afirma que a combinação entre instabilidade regulatória nos EUA e desaceleração do excepcionalismo americano levou gestores a buscarem ativos menos expostos ao risco de crescimento.

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“Quem diria que haveria um cenário em que o investidor alocaria fora dos Estados Unidos por medo da instabilidade”

— Marc Forster, head Brasil da Franklin Templeton.

No centro dessa reviravolta estão os CLOs europeus — estruturas que reúnem centenas de empréstimos corporativos e os redistribuem em diferentes níveis de risco e retorno, permitindo ao investidor acessar crédito com maior proteção.

Esse mercado se destaca pela previsibilidade, diversificação setorial e histórico mais sólido de recuperação em casos de inadimplência. O cenário contrasta com o ambiente americano, marcado por mais litígios, judicialização e atritos recorrentes entre tomadores e credores.

Mercado europeu ganha força com estabilidade e diversificação

A consolidação da Europa como porto seguro se explica pela natureza mais regulada e menos volátil do seu mercado de crédito estruturado.

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Segundo Forster, enquanto os CLOs americanos têm entre 15% e 20% de exposição ao setor de tecnologia, os europeus ficam próximos de 10%, o que dilui riscos e reduz a correlação com ciclos de crescimento mais agressivos.

Na outra ponta, o investidor também reavalia seu apetite ao constatar que setores tradicionalmente vistos como “tediosos” — como commodities e energia — podem ser exatamente o que seu portfólio precisa em tempos de incerteza.

“Eu talvez queira um pouco de ‘chatice’ no meu portfólio. ”

A comparação de Forster com empresas como Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3) reforça a ideia de que constância e geração de caixa passam a ter valor adicional.

Ainda segundo ele, historicamente, a inadimplência é menor na Europa, e quando ela ocorre, as recuperações são maiores. CLOs de rating BB e B — considerados extratos intermediários — se destacam como a melhor relação risco-retorno no momento.

CLOs oferecem resiliência e histórico de baixíssimos defaults

No topo das estruturas, a segurança é ainda mais evidente. Forster lembra que, de 1996 a 2024, não houve nenhum default em tranches AAA de CLOs, nem na Europa nem nos EUA. Em tranches AA, apenas um caso americano aparece em um universo superior a 14 mil estruturas analisadas.

É abaixo desse nível — especialmente nas tranches BB e B — que a Europa mostra vantagem.

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“As perdas são muito menores quando acontecem, e as recuperações, muito maiores”, afirmou. Segundo ele, é exatamente essa camada que concentra a estratégia atual da Franklin Templeton.