Calmaria nos mercados está praticamente no fim, apontam Goldman e Deutsche Bank

Após meses de calmaria descritos como um equilíbrio perfeito, como seria no conto de Cachinhos Dourados, bancos alertam para riscos que podem agitar os mercados

Bloomberg

Bolsa de Valores de Paris, no distrito empresarial de La Defense
14/12/2016
REUTERS/Benoit Tessier
Bolsa de Valores de Paris, no distrito empresarial de La Defense 14/12/2016 REUTERS/Benoit Tessier

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(Bloomberg) – O “verão de Cachinhos Dourados” (cenário de economia nem tão aquecida, nem tão fria) está praticamente no fim, segundo o Goldman Sachs Group Inc., e a crescente preocupação com a economia dos EUA está tirando os mercados de sua sonolência sazonal.

Ao retornarem às mesas, os investidores se depararão com dados fracos dos EUA, preocupações com tarifas comerciais e os mais recentes ataques do presidente Donald Trump contra o Federal Reserve, de acordo com estrategistas do Goldman e do Deutsche Bank AG.

“Será um retorno bastante difícil”, disse Christian Mueller-Glissmann, chefe de pesquisa de alocação de ativos do Goldman, em entrevista à Bloomberg TV. “Não tenho certeza se podemos sustentar o tipo de momento ‘Cachinhos Dourados’ que tivemos.”

Por enquanto, o índice CBOE VIX, uma medida-chave do nervosismo do mercado, está próximo dos níveis mais baixos do ano. O dólar, por sua vez, se recuperou da mínima de três anos registrada em julho.

Há muitos sinais de que a calmaria não vai durar.

O mercado acionário aquecido durante os meses de verão se baseou em visões otimistas sobre os lucros das maiores empresas de tecnologia dos EUA — e não em um otimismo fundamental em relação à economia, disse Mueller-Glissmann.

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“Parte do momento ‘Cachinhos Dourados’ não veio de uma economia que estivesse indo muito bem, porque, na verdade, o mercado de trabalho nos EUA vem enfraquecendo”, afirmou. “Foi realmente por causa dos lucros, em particular de algumas empresas muito específicas — as ‘Sete Magníficas’ e alguns bancos — que puxaram o mercado para cima.”

De acordo com George Saravelos, chefe global de pesquisa cambial do Deutsche Bank, os mercados também têm sido “complacentes demais” em relação às ameaças à independência do Fed.

Em sua mais recente medida, Trump busca destituir a diretora do Fed Lisa Cook, em uma tentativa de assegurar cortes agressivos nas taxas de juros pelo banco central americano. O rendimento dos títulos de 30 anos subiu até cinco pontos-base, para 4,94%, nesta terça-feira, enquanto o Bloomberg Dollar Spot Index caiu 0,2%.

“Não encontramos nenhum argumento convincente para que o mercado não esteja precificando melhor esse risco”, escreveu Saravelos em uma nota.

Próximos testes

Na Europa, por sua vez, o mais recente pedido de voto de confiança na França serviu de lembrete sobre o potencial de uma política conturbada reacender oscilações no mercado. As ações locais despencaram em meio ao temor de que um novo impasse orçamentário possa levar à queda de mais um governo francês, enquanto a volatilidade do euro em prazo de uma semana caminhava para seu maior salto em um mês.

Os traders estarão atentos aos leilões de Treasuries de curto prazo nesta semana, mas os dados de folha de pagamento dos EUA, esperados para a próxima semana, podem ser o gatilho que marcará o fim da calmaria de verão.

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“Os investidores em ações, sem dúvida, acompanharão de perto o longo prazo do mercado de Treasuries nesta semana”, escreveu Chris Turner, chefe de estratégia cambial do ING Bank NV, em nota. “Uma liquidação pode pressionar as ações globais após uma boa sequência em agosto.”

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