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A Faz Capital, escritório ligado à XP (XPBR31), traçou uma meta ambiciosa para os próximos cinco anos: ultrapassar R$ 30 bilhões em recursos administrados e alcançar 50 mil clientes até 2030.
Hoje, a empresa tem cerca de R$ 8 bilhões sob custódia e aposta em um caminho pouco usual no setor para sustentar esse crescimento — formar seus próprios profissionais, em vez de disputar talentos já prontos no mercado.
A estratégia é capitaneada por Lucas Ferraz, presidente da companhia, que vê na escassez de mão de obra qualificada um dos principais entraves para o avanço da assessoria independente no país.
“Hoje, quem não forma seu próprio time sofre grande limitação de crescimento da operação”
Segundo Ferraz, o déficit de profissionais preparados acompanha a empresa desde a fundação. “Desde a fundação da Faz Capital identificamos essa lacuna na oferta de profissionais”, diz.
“Ainda hoje há pouquíssimos programas de formação para o mercado financeiro, principalmente para assessoria e consultoria, áreas que têm uma demanda muito acentuada de profissionais”, prossegue.
Para enfrentar o problema, a empresa criou o Academy, programa voltado tanto a jovens universitários quanto a profissionais mais experientes que desejam migrar para o mercado financeiro.
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A iniciativa já formou parte dos atuais sócios da casa.
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Cultura interna como vantagem competitiva
Mais do que um canal de recrutamento, o programa é visto pela companhia como um instrumento de preservação de cultura.
“Nosso objetivo é desenvolver profissionais preparados para o futuro do mercado financeiro e que desenvolvam o DNA da empresa, que é de inovação constante e de servir ao cliente”, explica o executivo.
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A formação interna, segundo ele, evita que vícios de outros modelos contaminem a operação.
A ideia é construir times alinhados aos valores da casa desde o início da carreira.
“Mais do que formar assessores, queremos formar líderes, empreendedores e profissionais com visão de longo prazo”, resume.
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O presidente da Faz Capital afirma que o perfil exigido do assessor mudou bastante nos últimos anos.
Antes voltado para produto e execução, o profissional agora precisa equilibrar visão de negócios, capacidade de relacionamento e inteligência emocional para atender um investidor mais bem informado.
Esse novo perfil, segundo Ferraz, também explica a mudança de preferência entre universitários.
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“Muitos jovens passaram a buscar ambientes mais meritocráticos, com maior autonomia, possibilidade de crescimento acelerado e proximidade com empreendedorismo. A assessoria independente oferece isso”, avalia.
Tecnologia entra como reforço, não como substituta
A expansão da base de assessores caminha junto com investimentos em tecnologia, mas o executivo descarta, por ora, a substituição do profissional pela máquina.
Os sistemas, segundo ele, servem para potencializar o trabalho de quem atende o cliente na ponta.
Entre as aplicações citadas estão ferramentas de inteligência de mercado, que ajudam a identificar o momento certo de oferecer um produto, e sistemas de gestão de relacionamento mais sofisticados, capazes de municiar o assessor com informações estratégicas em tempo real.
A companhia também acompanha de perto a transformação do mercado brasileiro, marcada pelo avanço dos escritórios independentes sobre o terreno antes dominado pelos grandes bancos.
Para Ferraz, o movimento se assemelha ao ocorrido em mercados mais maduros e tem o cliente como principal beneficiado.
“O cliente está cada vez mais interessado em atendimento personalizado, arquitetura aberta e alinhamento de interesses”, afirma o presidente da Faz Capital.
“Os escritórios independentes cresceram justamente por oferecer uma experiência mais próxima e consultiva”, completa.
Interior do país e novos serviços no radar
A expansão da Faz Capital não se limita às capitais. O executivo afirma que a interiorização do mercado já é uma realidade, especialmente em regiões com forte presença do agronegócio e da indústria.
“O investidor brasileiro está cada vez mais sofisticado e isso não acontece apenas nos grandes centros”, observa.
Em paralelo ao crescimento físico, a empresa amplia o portfólio de serviços.
Além da assessoria tradicional, já atua em gestão de grandes fortunas, planejamento patrimonial, inteligência imobiliária, tributação internacional e soluções para empresas.
A diversificação, segundo Ferraz, sempre fez parte do plano de crescimento.
Sobre o comportamento do investidor em meio aos juros elevados, o executivo avalia que há uma busca natural por aplicações mais conservadoras, mas com um diferencial em relação a ciclos passados.
“Hoje existe uma preocupação maior com diversificação, visão de longo prazo e construção patrimonial, e não apenas foco em rentabilidade do momento”, diz.
Para o presidente da companhia, o maior desafio do crescimento acelerado é não perder a consistência no atendimento.
“Crescimento por si só não garante sustentabilidade. O que constrói uma marca forte é consistência. No fim do dia, o mercado financeiro é um mercado de credibilidade”, conclui.