Como investir para viver de renda passiva? Raphael Figueredo, o Rafi, dá dicas

Durante o Conexão Investidor 2026, Rafi Figueiredo destacou a importância da geração de caixa das empresas, do reinvestimento de dividendos e do acompanhamento da carteira de ações

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Construir uma carteira de ações voltada à geração de renda passiva exige mais do que escolher empresas que pagam dividendos elevados. É necessário avaliar a capacidade de geração de caixa dos negócios, acompanhar seus resultados e revisar periodicamente os investimentos.

Essa foi uma das principais mensagens de Raphael Figueredo, o Rafi, estrategista de Renda Variável da XP, durante o segundo dia do Conexão Investidor 2026, realizado na terça-feira (20).

Promovido pela Faz Capital, o evento acontece até sexta-feira (23), com programação online e gratuita. Ao todo, são 20 painéis, quatro por dia, a partir das 17h, abordando investimentos, cenário econômico, empreendedorismo e gestão patrimonial.

No painel Como investir para viver de renda passiva, Figueiredo conversou com Alexandre Pletes, head de Renda Variável da Faz Capital, sobre estratégias para construir patrimônio e obter rendimentos recorrentes no mercado de ações.

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Setores essenciais e dividendos recorrentes

Segundo Figueiredo, determinadas empresas dos setores financeiro e de serviços públicos, como energia elétrica e saneamento, apresentam características favoráveis à construção de carteiras voltadas à renda.

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Entre elas estão a geração recorrente de caixa e a maior previsibilidade dos resultados.

“É olhar essa capacidade de geração de caixa das companhias em prol, em parte, do crescimento e manutenção do teu serviço, daquilo que você faz, e em parte desse caixa para remunerar o acionista”, explicou.

O estrategista citou um levantamento realizado pela XP com empresas desses segmentos. Segundo ele, considerando a valorização das ações e os dividendos recebidos, os retornos superaram o CDI em janelas de cinco, 10 e 15 anos.

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O especialista também mencionou um período de crise, entre 2013 e 2015, em que o desempenho ficou próximo ao indicador.

Figueiredo ressaltou ainda a importância do reinvestimento dos dividendos durante a fase de acumulação patrimonial. A estratégia permite utilizar os valores recebidos para ampliar o capital investido ao longo do tempo.

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Comprar ações e esquecer pode ser um erro

Um dos principais alertas do painel foi dirigido aos investidores que adotam a estratégia de buy and hold — comprar ações para mantê-las por longos períodos — sem acompanhar a evolução das empresas.

“Porque o buy and hold no Brasil é uma grande falácia”, afirmou Rafi, ao criticar a ideia de que basta adquirir boas ações e mantê-las indefinidamente.

Na avaliação do especialista, a volatilidade dos juros e as mudanças no cenário econômico brasileiro podem comprometer a capacidade de distribuição de dividendos de empresas anteriormente consideradas sólidas.

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“É preciso ter uma estratégia, e a manutenção dessa estratégia”, acrescentou.

Pletes também alertou para o risco de escolher ações apenas pelo dividend yield dos últimos 12 meses, indicador que relaciona os dividendos pagos ao preço da ação, sem analisar fatores como geração de caixa e percentual do lucro distribuído aos acionistas.

A programação do segundo dia do Conexão Investidor 2026 incluiu ainda debates sobre a crise do crédito privado brasileiro, o papel dos empresários na transformação social e os impactos da inteligência artificial sobre a economia e os investimentos.

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Formado em Jornalismo pela UFSM, Marcelo Monteiro atua há mais de 30 anos na imprensa. Trabalhou em veículos como Zero Hora, Correio Braziliense, Gazeta Mercantil, Hoje em Dia e Diário Catarinense. É autor dos livros "U-507" (2012) e "U-93" (2014) e dirigiu os documentários "Delírios" (2021) e "Além do Limite" (2022).