Cenário brasileiro vai ficar catastrófico no pós-eleição?

Empresas e setores organizados conseguem benefícios e regimes especiais, aumentando os gastos do Estado sem melhorar a eficiência.

Osni Alves

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O Brasil enfrenta uma “armadilha populista” que dificulta reformas fiscais e a redução de gastos, segundo Ivan Barboza, sócio e gestor da Ártica Capital. Para ele, incentivos fiscais e programas sociais mal estruturados criam um ciclo de redistribuição de recursos que aumenta desigualdades e reduz a produtividade econômica, mantendo a população dependente do Estado.

Barboza afirma que parte do problema está na percepção da população sobre impostos: muitos cidadãos não sentem o peso dos tributos embutidos no consumo, o que torna impopulares medidas de corte de gastos.

Influência de grupos de interesse na política fiscal

O gestor também criticou a influência de grupos de interesse na política fiscal. Segundo ele, empresas e setores organizados conseguem benefícios e regimes especiais, aumentando os gastos do Estado sem melhorar a eficiência.

“Todo grupo que consegue força política suficiente para fazer lobby vai lá e busca benefícios fiscais… Benefício fiscal é gasto do Estado. E todo mundo acaba fazendo isso”, explicou.

A análise de Barboza foi feita durante participação no podcast Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo.

O gestor apontou que programas sociais, como o Bolsa Família, podem gerar incentivos perversos à informalidade e à subdeclaração de renda, criando desafios adicionais para a produtividade e a justiça fiscal.

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Mudanças estruturais cada vez mais longe

Segundo ele, mesmo que os políticos fossem “perfeitos”, a combinação de interesses corporativos, lobby e comportamento da população impede mudanças estruturais.

“Mesmo com políticos perfeitos, eles poderiam ser corrompidos de novo. O problema não está só nos políticos, está também na população”, afirmou.