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SÃO PAULO – Com a proximidade do fim do ano, cai a inadimplência dos consumidores. Porém, com a chegada de 2008 e o vencimento das contas, a tendência é que haja um avanço no índice de não-pagamento. Segundo a Telecheque, a proporção de cheques devolvidos por falta de fundos deve passar de algo em torno de 2% a ser registrado em dezembro para até 4% nos três primeiros meses do ano que vem.
“O pico da inadimplência é verificado normalmente em março”, explicou o vice-presidente da empresa, Antônio José Praxedes Neto. A expectativa é que o índice de parcelamento das compras feitas com folhas, que no ano passado foi de cerca de 70% das emissões, seja ainda superior neste ano. Com o passar dos meses, o consumidor perde o fôlego e não consegue arcar com o pagamento das contas rotineiras e dos financiamentos.
Renda baixa
“A renda do brasileiro é muito baixa. Em São Paulo, por exemplo, a média fica em R$ 1,2 mil. O poder de compra acaba sendo maior do que a necessidade”, explicou Fabio Pina, assessor econômico da Fecomercio-SP (Federação do Comércio de São Paulo).
Conforme a última pesquisa da entidade, 56% dos paulistanos tinham algum compromisso financeiro para cobrir, sendo que 38% estavam com vencimentos atrasados. O comprometimento médio do orçamento dos consumidores da cidade para arcar com dívidas é de aproximadamente 30% da renda. Os dados, completou Pina, não devem de maneira alguma prejudicar as vendas natalinas.
Ajuste de contas
Segundo o assessor da Fecomercio-SP, historicamente, o fim do ano é uma época em que os compradores aproveitam para regularizar as pendências financeiras que puderem. Além de fazê-lo para conseguir limpar o nome e voltar a tomar crédito, o motivo é também psicológico: passar as festas de fim de ano com tranquilidade.
“O décimo terceiro é um facilitador desse fenômeno, assim como a facilidade do crédito, que auxilia também no refinanciamento da dívida, o aumento da renda e a ampliação do emprego, comuns à época do ano. São fatores intimamente ligados”, afirmou.
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Pesquisa da Fecomercio-RJ traduz em números esse comportamento: nunca tantos moradores da Região Metropolitana do Rio de Janeiro estiveram com as contas em dia durante um mês de outubro: 19,6% das famílias haviam deixado de pagar algum tipo de conta fixa naquele mês, o menor percentual para a época desde 2000. Apenas para se ter uma idéia, no mesmo período de 2006, o volume de inadimplentes era de 21,2%.