Banco Central comunica a liquidação do Banco Cruzeiro do Sul

Minutos antes o Cruzeiro do Sul havia informado que no aguardo de esclarecimentos de que não havia sido finalizadas negociações sobre o controle do banco

Nara Faria

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SÃO PAULO – O Banco Central do Brasil decretou nesta sexta-feira (14)  a liquidação extrajudicial do Banco Cruzeiro do Sul  (CZRS4) e do banco Prosper, que é instituição financeira que detém aproximadamente 0,01% dos ativos do sistema bancário e 0,01% dos depósitos.

O ato abrange a controladora do Banco Cruzeiro do Sul, a Cruzeiro do Sul Holding Financeira, e as empresas Cruzeiro do Sul S.A Corretora de Valores e Mercadorias; Cruzeiro do Sul S.A. DTVM; e Cruzeiro do Sul S.A. Companhia Securitizadora de Créditos Financeiros, que também se encontravam submetidas ao RAET.

Já a liquidação do Banco Prosper, que teve proposta de mudança de controle para o Banco Cruzeiro do Sul não aprovada pelo Banco Central, “deve-se a sucessivos prejuízos que vinham expondo seus credores a risco anormal, a deficiência patrimonial e a descumprimento de normas aplicáveis ao sistema financeiro”, informou o BC em nota.

Do total de depósitos à vista e a prazo do Banco Cruzeiro do Sul e do Banco Prosper, cerca de 35% e de 60%, respectivamente, contam com garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

Segundo nota encaminha pelo BC nesta manhã, o Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades, nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas punitivas de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis.

“Nos termos da lei, permanecem indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores do Banco Cruzeiro do Sul e ficam indisponíveis, a partir de hoje, os bens dos controladores e dos ex-administradores do Banco Prosper”, afirma o BC.

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Minutos antes a companhia havia informado que estava no aguardo de esclarecimentos sobre notícias de que o Banco Central anunciaria nesta data a liquidação do banco, depois que negociações para a venda da instituição fracassaram, e que ficariam suspensos os negócios com as ações de emissão da empresa a partir deste pregão.

Noticiário nos ultimos dias 
As ações do  banco tiveram forte alta na véspera após rumores sobre o interesse do Santander Brasil (SANB11) no banco. O banco de capital espanhol manteve conversas com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e o administrador do Cruzeiro do Sul, na tentativa de chegar a um acordo para assumir o controle do banco.

Depois desses rumores, o FGC informou que estendeu até às 18h00 (horário de Brasília) desta quinta-feira (13) a oferta pública para o controle o Banco Cruzeiro do Sul, por necessitar de mais tempo para a análise de ofertas recebidas pela companhia. Anteriormente, o fundo havia anunciado que as negociações terminariam no dia 12 de setembro. 

Nada feito
Segundo o jornal Valor Econômico, as negociações com o Santander se estenderam até a madrugada desta sexta-feira, mas não avançaram diante da cobrança pelo banco espanhol de garantias que impediram um acordo para a venda da instituição.

 O Cruzeiro do Sul está sob intervenção do Banco Central desde o início de junho e, na quinta-feira (13), venceu o prazo para o Cruzeiro do Sul conseguir aprovação de credores para renegociação de dívidas e obtenção de um comprador. O Valor afirmou que o acordo com credores “foi alcançado”. 

O plano de recuperação do banco Cruzeiro do Sul, que tinha patrimônio negativo em R$ 2,237 bilhões até a intervenção ocorrida em 4 de junho, previa, além da reestruturação da dívida, a venda da instituição.

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Negociações
O FGC foi nomeado pelo Banco Central como administrador especial temporário do banco, que está sob intervenção do Banco Central. Em 15 de agosto de 2012, foi divulgado pelo banco um fato relevante no qual foi detalhado o lançamento pelo FGC de duas ofertas publicas simultâneas para aquisição de créditos locais e internacionais contra o banco, destinadas, respectivamente, a credores internos não garantidos e credores externos.

Antes dos rumores sobre o Santander, no dia 11 de setembro, as ações do banco disparam, refletindo rumores sobre uma possível venda para outras instituições bancárias, como o BTG Pactual (BBTG11) e Bradesco (BBDC4) – que estariam interessadas na instituição.