Prévias do 2º tri estão revelando “perdedoras” e “vencedoras” do setor imobiliário

Citi Corretora destaca Direcional, Cyrela, Even, Tecnisa e Eztec como as maiores beneficiárias do atual cenário; Gafisa e MRV têm problemas

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SÃO PAULO – As empresas do setor imobiliário apresentaram as suas prévias operacionais, que têm sido vistas, em sua maioria, como positivas pelo mercado. 

Dentre as empresas de construção, a Cyrela (CYRE3), MRV Engenharia (MRVE3) e Eztec (EZTC3) na última segunda-feira (15). Juntas, elas totalizaram R$ 2,828 bilhões em lançamentos e R$ 3,925 bilhões em vendas contratadas entre abril e junho.

Na véspera, a Trisul (TRIS3) e as companhias de shopping centers Aliansce (ALSC3) também divulgaram os seus números para o período. Enquanto a Aliansce mostrou crescimento das vendas de shoppings de 17,9% e com crescimento de 8,6% nas vendas na mesma loja, a Trisul revelou um valor geral de vendas por R$ 200 milhões, sendo R$ 156 milhões, apresentando crescimento de 148% em comparação ao mesmo trimestre e 111% se comparado ao primeiro trimestre.

Conforme destacam os analistas do Itaú BBA, David Lawant, Enrico Trotta e Ariel Amar, tanto a Cyrela quanto a Eztec apresentaram números positivos. “A Cyrela divulgou dados de lançamentos e de pré-vendas mais fortes que o esperado, e atingiu uma sólida velocidade de vendas de 24,3% provavelmente o valor mais alto dentro do universo de nossa cobertura”, apontam os analistas.

Já a Eztec manteve uma velocidade de vendas saudável e já alcançou 54% do ponto intermediário de seu guidance anual de lançamentos, afirmam os analistas do Itaú BBA.

Por que as vendas continuam fortes?
Assim, conforme ressalta o Citi, considerando 7 das 10 companhias de cobertura da corretora que divulgaram suas prévias operacionais no segundo trimestre, as vendas contratadas subiram 34% na base de comparação anual no primeiro trimestre. “Isso foi uma surpresa positiva, considerando a recente deterioração do cenário macro no Brasil. Os destaques foram os segmentos de renda mais baixa e de renda média alta”, apontam os analistas Paola Mello e Dan McGoey.

Dentre elas, 41% das estimativas de lançamentos para 2013 já foi realizada no primeiro semestre. Mas o que explica esse movimento mais positivo das construtoras.

Os analistas destacam que, em um esforço para manter os balanços mais “leves”, as construtoras têm sido mais seletivas nos lançamentos e se concentrando mais em vender estoques. O estoque mais baixo em São Paulo, inclusive, fez com que a velocidade de vendas aumentasse na região.

Dentre os “perdedores” neste cenário, estão as empresas mais voltadas a classe de renda mais baixa, que parece ser o maior afetado, em meio ao forte endividamento da classe C, além da erosão da renda disponível pela inflação mais alta. Assim, os números da MRV e da Gafisa – através da Tenda – geraram preocupação em relação às suas expectativas para lançamentos no ano, sugerindo uma demanda mais fraca neste segmento.

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Já entre os “vencedores”, os analistas do Citi destacam a Direcional e a Cyrela – através da Cury, sua joint-venture focada em baixa renda como boas alternativas para se distanciar do fraco ambiente macroeconômico. Sua exposição ao segmento de renda mais baixa, no qual as unidades são vendidas para o governo e não para os compradores finais, minimiza o risco de cancelamentos de vendas, destacam os analistas.

“Também destacamos Even (EVEN3), Tecnisa (TCSA3), Eztec e Cyrela (através da marca Cyrela), que tipicamente exploram o segmento de renda média alta em mercados tradicionais como São Paulo e que devem continuar se beneficiando da redução dos níveis dos estoques”, afirmam Mello e McGoey.

A leitura também é positiva para as corretoras de imóveis, com destaque para o mercado primário, que é o negócio principal da Lopes Brasil (LPSB3) e da Brasil Brokers (BBRK3). Segundo as estimativas dos analistas, as companhias possuem cerca de 40% de participação no mercado e também devem se beneficiar das fortes vendas contratadas reportadas pelas construtoras. 

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.