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SÃO PAULO – Na próxima semana, começa no STF (Supremo Tribunal Federal) o julgamento dos planos econômicos e há a possibilidade dos bancos terem que pagar R$ 150 bilhões, referentes aos planos Bresser, Verão, Collor I e Collor II. Para corretora, no entanto, o governo pode ter superestimado o valor com intuito de gerar pressão e ter um apelo maior a respeito dos efeitos que uma decisão desfavorável traria na economia. Diante de um possível “alívio” a seus cofres, os papéis das instituições financeiras, que sofriam fortes perdas desde a semana passada, operam em fortes ganhos na sessão desta terça-feira (26), figurando entre as maiores altas do Ibovespa.
Às 11h30 (horário de Brasília), os papéis do Banco do Brasil (BBAS3, +3,38%, R$ 24,81) lideraravam os ganhos do índice, seguidos por Bradesco (BBDC3, +3,20%, R$ 34,15; BBDC4, +2,33%, R$ 30,73), Itaú Unibanco (ITUB4, +2,58%, R$ 32,66), Itaúsa (ITSA4, +2,46%, R$ 9,16) e Santander (SANB11, +2,21%, R$ 14,80). No mesmo horário, o Ibovespa (-0,02%) operava próximo a estabilidade, a 52.254 pontos.
Embora fala-se de R$ 150 bilhões de impacto aos bancos, uma conta que considere o nível de provisão e a participação nos depósitos do Itaú demonstra que um número mais realista seria em torno de R$ 50 bilhões como valor total, disse a XP Investimentos após conversa com o setor e advogados sobre o tema.
Mas seguindo as contas preliminares, e considerando a participantes das instituições financeiras nos depósitos durante os planos, a Caixa Econômica apresentava uma participação em torno de 33% a 35%, o que poderia se traduzir em cerca de R$ 50 bilhões de necessidade de capital para suprir a causa (utilizando R$ 150 bilhões como base para a conta). No caso do BB, os depósitos (20% do sistema no período) poderiam gerar R$ 35 bilhões em despesa para o banco. Dessa forma, no âmbito de bancos públicos, uma decisão considerando a legislação inconstitucional poderia gerar uma necessidade de capitalização imediata por parte do Tesouro. Com relação ao Itaú, no pior cenário possível, a instituição poderia arcar com um valor entre R$ 15 bilhões e 20 bilhões (10% ~ 15% dos depósitos). Com a redução da provisão constituída e créditos tributários, o resultado final em torno de R$ 9 bilhões em obrigações adicionais (5,8% do seu market cap atual).
Efeitos sobre o Santander pode ser considerados limitados em função da participação restrita nos depósitos da poupança no período dos planos econômicos, o que justifica um desempenho mais favorável em meio ao stress gerado pelo processo em curso, disseram os analistas.
Para a XP, o cenário para o setor dos bancos continua conturbado, dado o nível de especulação a respeito dos valores envolvidos e pressões que influenciam na decisão final. O analistas acreditam que o processo pode ser adiado sob indícios de desconforto extremo em julgar a causa tão “polêmica/populista” em meio ao início de um ano eleitoral. Aliado a isso e a complexidade do caso, eles não acreditam que seja julgado este ano, só no ano que vem.