Bancos poderão converter letras financeiras em ações em caso de crise

Medida provisória permite ainda apropriação de créditos tributários no capital por instituições que tiverem prejuízo ou que tenham falência decretada

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BRASÍLIA – O secretário-adjunto do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira, afirmou nesta sexta-feira (1) que os bancos poderão converter novas letras financeiras em ações em caso de crise grave. A medida faz parte da implantação do acordo de Basileia 3 no Brasil.

A implantação de Basileia 3 no país ocorreu com a publicação da Medida Provisória número 608 no Diário Oficial da União desta sexta-feira.

Segundo Oliveira, em situações de crise grave, o Banco Central poderá suspender o pagamento de letras financeiras das instituições ou permitir que esses títulos de dívida sejam convertidos em ações. Ele esclareceu que a conversão em situações de crise é válida a partir desta sexta-feira e somente para papéis que tiverem cláusulas específicas para isso.

Além de permitir a conversão das letras, a MP permite apropriação de créditos tributários no capital por instituições que tiverem prejuízo ou que tenham falência decretada. Segundo o Ministério da Fazenda, o estoque desse crédito é estimado em 60 bilhões de reais.

“No caso de prejuízo, a instituição financeira só faz a apuração na proporção do crédito em relação ao capital. No caso de liquidação, apenas no caso de liquidação, a apuração do crédito (tributário) no capital será de 100 por cento”, disse Oliveira.

A indústria financeira do Brasil discute há vários meses a implantação das regras de Basileia 3, que foram criadas para aperfeiçoar a capacidade das instituições financeiras de absorver choques e evitar a repetição da crise internacional de 2008-2009.

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O diretor de Regulação do Sistema Financeiro do BC, Luiz Awazu, disse que, como um todo, o sistema financeiro nacional não precisará levantar capital entre 2014 e 2019.

Mas pela análise individual de cada banco, segundo o diretor, algumas instituições financeiras terão de levantar 2,9 bilhões de reais em 2017, 5,1 bilhões de reais em 2018 e 6,7 bilhões de reais em 2019.

“Na análise individual, nenhum banco precisará levantar capital entre 2013 e 2015”, disse Awazu.