CCX sobe 22% com OPA e Oi despenca 8% com saída de Valim; veja destaques

Papéis da Usiminas caem mais de 5% com corte de recomendação, Eletrobras completa 10 dias seguidos de alta e Santander vira para o negativo após presidente global dizer que banco não está a venda

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SÃO PAULO – Com a volta dos Estados Unidos ao mercado após o feriado local na véspera, a BM&FBovespa voltou a ganhar volume financeiro e também volatilidade – após começar o pregão em alta, o Ibovespa virou para o campo negativo e terminou esta terça-feira (22) com queda de 0,34%, aos 61.692 pontos. Na ponta negativa do índice, destaque para as ações da Oi (OIBR3, -6,64%, R$ 9,00; OIBR4, -7,93%, R$ 8,01), que despencaram após a confirmação de que Francisco Valim deixará o comando da Oi.

Em comunicado divulgado minutos antes da abertura do pregão, a Telemar Participações informou que o Conselho de Administração aprovou a indicação de José Mauro da Cunha para o cargo de diretor-presidente da Oi. Vale mencionar que na véspera esses rumores já corriam no mercado, o que fez com que as ações PN da operadora de telefonia móvel caísse 5,13%. Nesta terça-feira, o volume financeiro de OIBR4 foi de R$ 219,6 milhões, quase sete vezes acima da média normalmente vista.

OPA da CCX confirmada: ações duplicaram de valor em 4 dias
O principal destaque do dia, contudo, ficou fora das 68 ações que fazem compõem o Ibovespa. A CCX (CCXC3) terminou esta sessão com valorização de 22,36%, cotado a R$ 3,83, repercutindo o comunicado divulgado na noite anterior pela empresa, anunciando que o acionista controlador da companhia, Eike Batista, pretende realizar uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) para posterior fechamento de capital da CCX. O valor oferecido por Batista é de R$ 4,31 por cada CCXC3, valor que embute um prêmio de 37,7% em relação ao fechamento da última segunda-feira (21) e que será pago em ações das outras empresas do Grupo EBX.

Contudo, é importante mencionar que os ativos da CCX já haviam subido forte nos três pregões que antecederam o comunicado – altas de 5,26% na quinta-feira (17), 8,00% na sexta (18) e 44,91% na segunda (21). Com a alta apresentada nesta sessão, os papéis da companhia saltaram de R$ 1,90 (fechamento do último dia de queda) para os atuais R$ 3,83, o que dá uma valorização acumulada de 101,58% em apenas quatro pregões. O movimento abrupto das ações nos dias anteriores ao comunicado, somado ao volume bastante acima da média, aumenta as chances de que essa informação tenha vazado ao mercado antes do anúncio ser realizado pela empresa.

Nesta terça, o volume financeiro movimentado por CCXC3 ficou em R$ 35,7 milhões, muito superior à média vista nos 21 pregões anteriores à esse breve rali de alta, que não superava a faixa de R$ 1 milhão por dia. Além disso, o giro financeiro desta sessão foi o segundo maior da breve história da companhia na Bovespa, perdendo apenas para o primeiro dia de negociação da ação, em 25 de maio de 2012 (R$ 68,1 milhões).

Santander cai após Botin dizer que banco não está a venda
Afastando as diversas especulações que têm envolvido o Santander Brasil (SANB11), o presidente mundial do banco espanhol, Emilio Botín, afirmou na tarde desta terça-feira (22) que os ativos da instituição no Brasil não estão à venda. Esta afirmação foi feita antes da reunião de Botín com a presidente Dilma Rousseff.

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A declaração feita por volta das 14h30 (horário de Brasília). Após esse horário, as units do Santander, que operavam próximos da estabilidade e com volume dentro da normalidade, passaram a operar no campo negativo na BM&FBovespa e intensificaram o giro financeiro. Ao final, eles terminaram o dia valendo R$ 14,94 – queda de 3,24% – e com um volume financeiro de R$ 146,2 milhões – muito superior à média diária movimentada nos últimos 21 pregões, de R$ 60 milhões.

No último dia 9, rumores de que a operação do banco espanhol no Brasil seria vendida – algo que vem sendo veiculado no mercado a um bom tempo – ganharam intensidade. A Veja.com, portal da revista Veja, noticiou a venda do Santander Brasil para o Bradesco (BBDC4) e retirou a informação do ar, a pedido de ambos os bancos, poucos minutos após a publicação original.

BTG diz para vender Usiminas: ações caem 6%
Passando para o setor siderúrgico, as ações da Usiminas (USIM3; USIM5) se destoaram negativamente dos seus pares na bolsa e terminaram esta terça-feira com queda de 6,07% para as ações preferenciais – cotadas a R$ 11,30 – e de 5,58% para as ordinárias – cotadas a R$ 12,35. 

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Grande parte deste desempenho está creditado ao corte de recomendação feito pelo BTG Pactual nesta manhã, que passou a recomendar a venda desses papéis. A revisão da recomendação afeta os papéis pelo alcance que eles têm nos investidores considerados qualificados, que por possuírem uma maior quantidade de capital investido acabam afetando no rumo de determinada ação quando resolvem montar ou desfazer posição neste ativo.

Outras companhias do setor apresentavam movimentos melhores que a Usiminas. Os papéis da Gerdau (GGBR4) fecharam com leve queda de 0,06%, a R$ 17,89, enquanto os ativos da CSN (CSNA3) subiram 0,94%, terminando o dia a R$ 11,85.

Risco de apagão? Eletrobras sobe pelo 10º dia seguido
Passando para os destaques de alta, as ações preferenciais da Eletrobras (ELET6) registraram seu 10º pregão consecutivo de alta, terminando esta terça com valorização de 6,20% – a maior do Ibovespa -, cotadas a R$ 13,70. De 8 de janeiro – último dia de queda – pra cá, os ativos ELET6 já acumulam ganhos de 41,20%, retomando assim os patamares vistos pela última vez na primeira metade de novembro – ou seja, antes do anúncio em rede nacional da presidente Dilma Rousseff sobre os cortes de tarifas, feito no feriado de 15 de novembro.

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Os ativos ELET6 já recuperam as perdas sofridas em virtude das intervenções governamentais de Dilma Rousseff, que impôs a redução da tarifa de energia elétrica para o consumidor final, penalizando assim as concessionárias do setor. Mas o noticiário recente tem apontado benefícios para empresas que renovaram suas concessões, além do aumento das chuvas no país, o que deve impactar positivamente as ações da Eletrobras.

Para Thomas Chang, da equipe de análise da Um Investimentos, o cenário atual demonstra possibilidades boas para os ativos, mas o setor é instável. “Não é possível prever o que acontecerá com as ações, uma vez que o setor elétrico é sensível às notícias e intervenções governamentais, como temos observado nos últimos meses”, explica o analista.

Após dados operacionais, Cyrela e EzTec caem forte
Os números operacionais das imobiliárias Cyrela (CYRE3) e EzTec (EZTC3) não agradaram o mercado. Itaú BBA, Planner, Citi Corretora e XP Investimentos indicam que as prévias ficaram aquém do esperado e o reflexo foi visto na bolsa. As ações da EzTec terminaram o dia com queda de 3,07%, cotadas a R$ 26,76, enquanto os papéis da Cyrela caíram 2,70%, para R$ 18,00.

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A Cyrela encerrou o quarto trimestre com lançamentos de R$ 1,4 bilhão e vendas contratadas de R$ 1,1 bilhão, registrando quedas de 47% e 25%, respectivamente na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo o analista Fernando Siqueira, da Citi Corretora, a redução foi agressiva nos lançamentos, ainda mais considerando a maior solidez do balanço da Cyrela relativamente a alguns de seus pares que estão atualmente reduzindo o tamanho de suas operações. 

No caso da EzTec, a empresa lançou cinco projetos no quarto trimestre, sendo todos residenciais, adicionando até R$ 344 milhões, o que representa uma redução de 9% na comparação com o quarto trimestre de 2011. Em consequência disto, a companhia alcançou R$ 1,2 bilhão lançados em 2012, estável em relação ao ano anterior, mas longe de atingir o guidance de lançamentos para o ano.

De centavo em centavo, V-Agro volta aos patamares de 2011
Nesta terça-feira, as ações da Vanguarda Agro (VAGR3) subiram mais um centavo, fechando a R$ 0,46 – maior patamar desde 9 de dezembro de 2011, época em que ainda era chamada de Brasil Ecodiesel. Esse avanço marca o quinto dia de alta em seis pregões – no dia em que não subiu, o papel VAGR3 fechou estável. De novembro pra cá, a valorização acumulada já supera os 40%.

Desde que foi acordada ao final de 2011 a entrada do Gávea Investimentos, gerido pelo ex-diretor do Banco Central Armínio Fraga, os papéis da companhia mostram forte recuperação. Naquele ano em questão, os ativos VAGR3 terminaram com desvalorização acumulada de 68,00% da valor de mercado.


Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers