Empresa de Agnelli faz oferta por fatia em projeto na Guiné

Outros ofertantes pela fatia da BHP Billiton incluem a maior siderúrgica do mundo, ArcelorMittal

Reuters

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LONDRES – Uma empresa de mineração com a participação do ex-presidente da Vale, Roger Agnelli, está entre os ofertantes para comprar a fatia da BHP Billiton no projeto Nimba, de minério de ferro, na Guiné, disseram fontes familiarizadas com o assunto nesta quarta-feira.

Outros ofertantes pela fatia da joint venture que detém a concessão da mina Nimba incluem a maior siderúrgica do mundo, a ArcelorMittal, que tem uma mina próxima, do outro lado da fronteira com a Libéria, disseram as fontes.

Negociador experiente, Agnelli está retornando para a África Ocidental com o bilionário banqueiro André Esteves. Dois anos atrás, à frente da Vale, Agnelli empurrou a mineradora para a Guiné, para uma controversa aquisição de participação em ativos de minério de ferro que incluíam blocos do depósito de Simandou confiscados da rival Rio Tinto pelo governo.

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Agnelli, de 53 anos, foi demitido da Vale no ano passado, depois de uma década no comando. Analistas disseram que seus planos para Vale multinacional não combinavam com a opinião do governo brasileiro, mais nacionalista.

Ele está retornando à mineração e à Guiné por meio da B&A Mineração, uma parceria entre a AGN Participações e o banco de investimento de Esteves, BTG Pactual, logo após a nova direção da Vale ter interrompido seus planos no país africano.

A Vale suspendeu o projeto Simandou em meio a incertezas quanto à demanda e à necessidade de enxugar seu orçamento. O projeto Simandou perdeu prioridade na carteira de investimentos para Serra Sul, outro gigantesco projeto de ferro, localizado no Pará.

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Uma das fontes disse que a Jonas Capital, uma empresa privada de investimentos que é parceira da Kumba Iron Ore, subsidiária da Anglo American na Libéria, também estava entre os pretendentes.

“A venda (de Nimba) está em uma segunda fase agora. B&A, ArcelorMittal e outros pretendentes já visitaram o local na Guiné e Libéria, e fizeram propostas sem compromisso”, disse uma fonte com conhecimento da situação disse. “Ainda este mês, as empresas devem sair com ofertas vinculativas”.

A BHP tem atualmente uma participação de 40 por cento no promissor depósito de Mount Nimba, junto com a mineradora de ouro Newmont.

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A fatia de um terceiro parceiro, a francesa Areva, está sendo comprada, o que vai deixar a BHP e a Newmont com uma fatia de 50 por cento cada uma, afirmou uma das fontes.

A BHP indicou no início deste ano que estava se retirando da Guiné, com os projetos lá e na vizinha Libéria sendo vítimas do foco da empresa em ativos mais relevantes. A BHP disse apenas que está revendo seus projetos na região, mas se recusou a comentar.

ArcelorMittal, Areva e B&A Mineração também se recusaram a comentar. Newmont e Jonas Capital não estavam imediatamente disponíveis para comentar o assunto.

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Nimba, um projeto em estágio inicial, é um depósito promissor, mas, como a maioria na Guiné e em toda a região, terá de superar uma crônica falta de infraestrutura. Também enfrenta escrutínio ambiental, dada a sua proximidade a uma área do Patrimônio Mundial.

“O comprador lógico é a ArcelorMittal”, disse outra fonte próxima da situação, citando a ferrovia existente e outras estruturas que a gigante do aço já possui na região.

“Agnelli tem dinheiro para gastar … mas para um investidor financeiro, este não é o melhor ativo para começar.”