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SÃO PAULO – Ao explicar os ganhos do sócio brasileiro Eduardo Saverin no mercado futuro de petróleo, Mark Zuckerberg, fundador do Facebook e segundo bilionário mais jovem do mundo, afirmou que o Brasil tolera o “insider trading” – as negociações com ações e derivativos que envolvem informações privilegiadas, ainda desconhecidas pela maior parte dos investidores.
A prática é considerada ilegal em todo o mundo. Nos Estados Unidos, a SEC (Securities and Exchange Commission) é a guardiã do mercado e pune exemplarmente os envolvidos nesses casos. Por aqui, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) exerce a mesma função, mas sofre críticas por parte de diversos participantes do mercado por uma suposta tolerância com irregularidades.
De acordo com algumas vozes do mercado, é muito fácil encontrar evidências do uso de informações privilegiadas. “Para achar, é a coisa mais simples do mundo: grande parte das vezes esses movimentos acontecem de quatro a cinco dias antes do fato relevante”, destaca um trader que participa do mercado há mais de dez anos. Ele costuma tentar se aproveitar dessas sutilezas do mercado: ao perceber variações gráficas e principalmente de volume, ele tenta antecipar o movimento e lucrar com isso.
O trader destaca um caso famoso: o do Banco Panamericano, em 2010. O rombo nas contas do banco foi noticiado no dia 9 de novembro, mas os papéis já apresentavam volume de negociações bastante acima da média, e volumosas quedas, desde o dia 4. “É mais fácil notar casos de ‘insider’ em ativos menos líquidos devido ao crescimento do volume negociado”, avalia.
Mas nem sempre são os ativos de menor liquidez que passam por essa situação. Outra fonte ouvida pela Revista InfoMoney, dessa vez um gestor de fundos, lembra outros casos emblemáticos. Em 2008, pouco antes de divulgar perdas bilionárias com derivativos, as ações da Sadia iniciaram um forte movimento de queda. Na visão dele, muito disso era movimento de “insiders”. “Pouco tempo depois, a empresa anuncia essa perda de derivativos e mostra que estava virtualmente quebrada. Esse movimento anterior é no mínimo estranho”, avalia.
Fique atento
A cadeia de informação geralmente é muito grande: além dos altos executivos das empresas, diversos funcionários e até prestadoras de serviço ficam sabendo dos fatos relevantes antes da divulgação pública. Como a empresa só é obrigada a divulgar a informação ao mercado imediatamente após o negócio ter sido concretizado, pessoas próximas às negociações têm um tempo para se antecipar ao impacto da notícia nas cotações e obter lucros indevidos.
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Embora a reação da ação seja agressiva no dia em que o fato é divulgado, esses compradores ou vendedores já podem estar atrasados, na opinião de alguns especialistas.
Outro caso que chamou a atenção dos investidores foi a forte alta de mais de 80% nas ações da Petrobras meses antes do anúncio do pré-sal. A empresa viu suas ações registrarem um avanço consistente do volume negociado durante esse período, e, pós-anúncio, continuaram em alta, mas depois retrocederam.
De acordo com um trader, identificar esses casos é fácil: basta procurar vendas e compras atípicas, encontrar quem as executou e investigar. “Basta levantar o CPF de todos os envolvidos nesse movimento, principalmente os com lotes maiores que o padrão do ativo de volume negociado, perguntar o motivo da compra ou investigar”, avalia.
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Qualquer corretora possui o histórico de movimentação de seus clientes, e uma investigação básica pode atestar o grau de proximidade do investidor com a empresa. Ele pode ser, por exemplo, o caseiro do presidente da empresa agindo como laranja. Atestado o uso de informações privilegiadas, é só punir. “Basta querer”, destaca o trader.
É claro que nem todos os investidores envolvidos nessas negociações são culpados. Muitos podem estar comprando uma ação baseados em diversos outros fatores, como o próprio aumento de volume ou rumores, algo completamente legal. Mas o fato é que um número muito pequeno de operações suspeitas acaba em punição.
| O 11 de Setembro vazou na Bolsa? |
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Teorias conspiratórias inundam a internet com as mais diversas e estranhas acusações: o homem nunca teria ido à Lua, os campeonatos brasileiros de futebol teriam seus campeões decididos antes da competição, a Copa de 1998 teria sido mesmo vendida e Ronaldo só teria jogado porque, se não entrasse em campo, perderia o patrocínio vitalício da Nike. A Bolsa também tem suas teorias da conspiração. Uma delas é que o mercado sabia dos atentados de 11 de Setembro nos Estados Unidos.
Nos três pregões imediatamente anteriores ao atentado, o principal índice norte-americano, o Dow Jones, apresentou forte queda. Além disso, uma semana antes, o índice já vinha em uma trajetória de quedas – que ganhava força. Entre as ações mais vendidas estavam os papéis de companhias que posteriormente seriam envolvidas no atentado, como United Airlines e American Airlines, e empresas de seguros, todas com volume acima da média. Já as empresas mais compradas eram as que forneciam armamentos ao governo norte-americano. A SEC e o FBI chegaram a abrir investigações. Alguns familiares de Osama Bin Laden, mentor dos ataques, foram acusados, mas nenhum deles acabou condenado. Sem provas de que as manobras haviam sido premeditadas, optou-se por encerrar as investigações exatamente dois anos depois. |
Essa matéria foi publicada na edição 40 da revista InfoMoney, referente ao bimestre setembro/outubro de 2012. Para tornar-se um assinante da revista, clique aqui.