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SÃO PAULO – A inadimplência no financiamento de veículos deve aumentar nos próximos meses, de acordo com levantamento da agência de varejo automotivo MSantos.
O economista da agência, Ayrton Fontes, lembra que o Banco Central divulga a inadimplência quando o atraso supera 90 dias, por isso, a melhor maneira de verificar se existe tendência de aumento é acompanhar a evolução dos atrasos entre 15 e 90 dias.
“A partir do 16º dia de atraso, as agências de cobranças contratadas pelos bancos iniciam um procedimento de cobrança junto ao cliente, já que, normalmente, o boleto é aceito com até 15 dias de atraso pela rede bancaria”, afirma Fontes.
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Segundo dados da agência, em maio deste ano houve um aumento de 24% nos atrasos entre 15 e 60 dias e 15% entre 60 e 90 dias, em comparação com o mesmo mês de 2010, totalizando um índice geral de atrasos de 8,1%. Em maio de 2010, o índice geral de atrasos de 15 a 90 dias era de 6,6%.
Aumento dos atrasos em junho
A MSantos efetuou um novo levantamento com oito escritórios de cobrança e questionou se houve aumento no mês de junho em relação a maio nos volumes de cobrança recebidos dos bancos. “Tivemos a informação que, em média, houve um aumento médio de 10%”, afirma Fontes.
O maior aumento das cobranças (15% em relação ao mês anterior) aconteceu nos atrasos superiores a 60 dias, segundo informações dos três maiores escritórios consultados para a análise.
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“Os escritórios estão enfrentando mais dificuldades com os clientes que não conseguem pagar a partir de 2 parcelas vencidas e menor dificuldade em receber quando o atraso é somente de uma parcela”, afirma Fontes.
Por fim, a agência constatou que todas as agências cobradoras estão oferecendo descontos nas taxas de cobrança (juros de mora, taxa do escritório etc.). “Não há parcelamento de dívida nestes casos e, se o atraso ultrapassa 90 dias, o veículo pode ser apreendido (varia de 90 a 150 dias)”, afirma Fontes.
Motivos
De acordo com o economista, o principal motivo para esta tendência de aumento da inadimplência no financiamento de veículos é o maior endividamento da população.
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“As pessoas compraram muito no final do ano passado, principalmente veículos. Agora, estamos vendo que a população está mais endividada e com mais dificuldade de quitar seus compromissos”, afirma. “É um problema conjuntural”, completa.