Ágora mostra otimismo com Cyrela, mas revela preocupação com Brookfield

Analista revisa estimativas para Brookfield e prevê prejuízo neste ano; endividamento continuará elevado mesmo após aumento de capital

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SÃO PAULO – Em meio a revisões de todo o setor de construção civil, a Ágora concluiu na noite de quarta-feira (10) relatórios específicos sobre a Cyrela (CYRE3) e a Brookfield (BISA3), após anunciar no dia anterior os preços-alvo das companhias para 2013, aos R$ 24,20 e R$ 3,90, respectivamente. Para este ano, o preço-alvo de Cyrela era de R$ 26,00, enquanto o da Brookfield estava em revisão.

Apesar do preço estimado para o fim do próximo ano ser inferior ao deste para a Cyrela, o analista José Cataldo mostra otimismo com a construtora e reforça a recomendação de compra. Para ele, a empresa apresentará uma melhora gradual no ROE (Retorno Sobre Patrimônio Líquido) até 2013, diferenciando-se das demais empresas de grande porte do setor.

Com uma rentabilidade e geração de caixa livre melhores, frutos do processo de redirecionamento da estratégia, Cataldo acredita que a empresa deverá ter mais crescimento e poderá anunciar novos programas de recompra de ações. 

Entre as medidas adotadas, a companhia reduziu o número de lançamentos de projetos e controlou o endividamento, o que permite à Cyrela adquirir terrenos em áreas de maior potencial, explica.

Brookfield: prejuízo no ano e endividamento continua
Já quanto à Brookfield, apesar de concluir o processo de revisão orçamentária, o analista fez um forte ajuste na projeção de lucro líquido. “Tal reestruturação, entretanto, deverá ser longa, tendo em vista as características inerentes ao setor”, alerta.

Portanto, o analista prevê que a rentabilidade continuará a ser pressionado pela alavancagem financeira, assim como pela diluição dos acionistas, por conta do aumento de capital já anunciado. Aliás, o alto nível de endividamento deverá continuar mesmo após esse aporte de recursos, ressalta.

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A estimativa de ganhos de R$ 419 milhões neste ano passou para perdas de R$ 189 milhões, enquanto no próximo ano o valor foi reduzido de R$ 427 milhões para R$ 346 milhões.

O analista da Ágora destaca que a Brookfield mostrou uma alta taxa de lançamentos durante 2011, quando as concorrentes já mostravam desaceleração. Isso fez com que a empresa precisasse de mais capital de giro e deteriorou a situação financeira dela, o que leva Cataldo a acreditar em uma recuperação efetiva apenas a partir de 2014, quando a geração de caixa se tornará positiva.