Banco Central reconhece que juros podem subir com aumento no compulsório

Elevação nos juros ou redução na oferta de crédito são possíveis efeitos do aumento no recolhimento compulsório, diz BC

Publicidade

SÃO PAULO – O Banco Central reconhece que o aumento no recolhimento compulsório dos bancos, que entra em vigor a partir dia 9 de abril, pode causar aumento nas taxas de juros praticadas pelo mercado.

O “compulsório” é o montante de recursos captados pelos bancos, que precisa ser obrigatoriamente repassado ao Banco Central, formando uma espécie de reserva. Durante a crise financeira, a alíquota foi reduzida a 13,5%, permitindo que os bancos tivessem maior liquidez, para não precisarem reduzir ou encarecer sua oferta de crédito.

Em fevereiro deste ano, no entanto, o Banco Central anunciou que iria reverter as medidas adotadas durante a crise e o compulsório voltaria à alíquota de 15%.

Alta nos juros
O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, declarou nesta quarta-feira (31) que a alta nas taxas de juros é um dos possíveis efeitos do maior recolhimento.

“Essa medida foi focada em gestão de liquidez. O impacto na expansão do crédito vai depender dos bancos que foram afetados”, declarou Araújo, de acordo com a Agência Brasil.

Para ele, as consequências podem ser a elevação de taxas de juros ou a redução da oferta de crédito. No entanto, está mantida a expectativa de expansão de 20% nos financiamentos no País neste ano, afirmou Araújo.

Continua depois da publicidade

Mantega nega
Após o anúncio feito em fevereiro, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a elevação dos depósitos compulsórios não afetaria o consumo no Brasil. Ele enfatizou que não faltará crédito ao consumidor, uma vez que há dinheiro no mercado e os bancos estão com carteira de crédito elevada.

“Agora, o crédito está normalizado, o volume de crédito é suficiente e até existe um excesso de liquidez. A medida é adequada e terá um efeito positivo na economia”, disse Mantega, na época.

Preocupação com a inflação
No entanto, para o vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel de Oliveira, na prática, essa mudança diminui a quantidade de dinheiro que os bancos tem para emprestar. Obviamente, isso afeta diretamente o consumidor, que terá de lidar com taxas de juros mais caras e mais burocracia para conseguir crédito.

Continua depois da publicidade

O especialista acredita que essa decisão foi tomada porque o Banco Central está preocupado com a inflação. “O BC deve ter analisado e visto que os bancos estão com bastante dinheiro para emprestar. Ele está tirando agora o que ele colocou durante a crise. É fato que o BC se preocupa com o consumo excessivo e muita oferta de crédito, porque isso pode elevar a inflação”, declarou Oliveira.