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SÃO PAULO – O presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tolmasquim, afastou, na segunda-feira (27), a hipótese de um possível racionamento de energia no País, que experimenta um aumento progressivo do consumo, além de conviver com a seca, responsável por provocar a redução do nível dos reservatórios das hidrelétricas.
“Graças aos investimentos que foram feitos na expansão do setor elétrico, temos hoje uma situação de total tranquilidade. Mesmo com essas fortes taxas de crescimento da demanda e o fato de estarmos passando por uma seca no País, com os reservatórios no nível mais baixo, a situação é de tranquilidade neste ano e no ano que vem”, afirmou Tolmasquim.
Conforme informações da Agência Brasil, o presidente garantiu que, com a expansão já contratada e garantida, o Brasil tem condições de crescer 7% ao ano até 2014.
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“A partir daí, temos o suprimento de energia garantido graças à entrada [em operação] das usinas hidrelétricas leiloadas, como Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira, e Belo Monte, no Rio Xingu. Já contratamos o equivalente a 71% da capacidade de geração necessária para os próximos 10 anos”, disse.
Avanços
Deve-se à indústria o mérito principal de puxar o crescimento energético, com destaque para o setor de exportação. De janeiro a agosto de 2010 as indústrias voltadas para as vendas externas elevaram o consumo em 19% (na comparação com igual período de 2009).
“Em 2009, o setor voltado ao mercado exterior teve uma forte queda devido à crise internacional e à redução das importações dos países desenvolvidos. Em 2010, os setores metalúrgico, extrativo-mineral e químico vêm puxando o consumo de energia elétrica”.
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Segundo Tolmasquim, o ritmo de crescimento do País também estará garantido pelo aumento da participação da energia nuclear na matriz energética, com a conclusão da Usina de Angra 3 e a entrada em operação de mais quatro usinas até 2030.
O presidente da EPE ainda levou em conta os estudos brasileiros acerca da questão nuclear. Além do Brasil, apenas Estados Unidos e Rússia têm urânio e capacidade de enriquecimento, informou. O plano, segundo ele, é construir uma usina nuclear a cada cinco anos.
Carta Energia para o Futuro
Nesta quarta-feira (29), 12 associações de classe, que representam a área de energia, entregam ao ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, e aos candidatos à Presidência da República Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) a “Carta Energia para o Futuro”.
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O documento, que será entregue durante o 7º Enase (Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico), é dotado de propostas para o setor elétrico e para o futuro da política energética no País.
“É um documento que aborda preocupações comuns a todos, como a sustentabilidade, a progressão de crescimento do mercado. O objetivo da carta é deixar claro para a sociedade, para todos os partidos e pessoas envolvidas com o processo eleitoral, quais são as demandas do setor para o futuro da política energética”, afirmou o secretário-geral do Enase, Rodrigo Ferreira.
Entre as prioridades inseridas na carta, estão temas como a transparência e estabilidade regulatória para o mercado, a participação e integração entre os agentes setoriais, o equilíbrio e hegemonia entre empresas públicas, estatais, privadas, estrangeiras e nacionais e a eficiência e competitividade.