Publicidade
SÃO PAULO – Apesar de concordar que os níveis de concessão de crédito apresentaram melhora – conforme afirmou o presidente do Banco Central, Henqrique Meirelles, na segunda-feira (09) – o vice-presidente da Anefac (Associaçao Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel José Ribeiro de Oliveira, discorda de que os patamares já estejam no mesmo nível que estavam antes da crise.
“O presidente do BC disse que o nível de concessão de crédito já estava igual a antes da crise e eu acho bastante difícil quantificar isso. O que posso dizer é que já melhorou bastante, mas não dá para dizer que voltou ao normal, que as pequenas empresas e as pessoas físicas estão tendo crédito normalmente, eu não acho que estão. Eu acho que a situação está melhor hoje, os bancos estão menos criteriosos na hora de conceder crédito, mas o crescimento no crédito aconteceu por causa das grandes empresas que buscavam dinheiro no interior e passaram a buscar no mercado interno”, defende.
Crescimento
Sobre as projeções divulgadas pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos) na última semana, e que indicam que o crédito continuará crescendo em ritmo mais lento em 2009 e 2010, Miguel de Oliveira tem opinião divergente.
InfoMorning
Informações, análises e recomendações que valem dinheiro
“Eu acredito que, por conta da crise, em 2009 teremos um patamar menor de crescimento, algo em torno de 15% e 20%, mas já veremos melhoras no segundo semestre. Agora, em 2010, a situação com certeza estará melhor e o Brasil deverá apresentar crescimento entre 25% e 30%, ou seja, o mesmo patamar que vinha apresentando nos anos anteriores”.
Sobre o volume de crédito do Brasil, o vice-presidente diz que o País ainda está muito longe dos outros países. “De acordo com dados do Banco Central, o volume de crédito aqui responde por 41% do PIB nacional, o que é muito pouco. A média internacional é de 100%, tem países com 180% do PIB. É fato que melhorou muito comparado aos outros anos. Estamos com 41% e há três anos estavamos com 25%, mas estamos muito longe de nos compararmos a outros países ou de dizer que estamos em níveis satisfatórios”.
Juros
Com relação aos juros cobrados na concessão de crédito, Oliveira afirma que não deve acontecer uma redução no curto prazo.
Continua depois da publicidade
“Teoricamente a redução teria que vir, já que a taxa básica de juros está caindo e as taxas de captação também estão menores. Entretanto, é fato que houve uma piora na qualidade de crédito. A inadimplência está maior, há mais desemprego e as pessoas estão perdendo renda. Tudo isso ainda não justifica um aumento nas taxas de juros, mas esse cenário faz os bancos postergarem uma possível redução nas taxas. Então eu diria que, a curto prazo, enquanto a inadimplência não se estabilizar ou começar a cair, os juros não vão ficar menores”.