Qual o valor do dinheiro? Presidente da Febraban fala do alto custo do spread

Segundo o especialista, a inadimplência é o principal justificativa para os elevados spreads cobrados no País

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SÃO PAULO – Durante reunião realizada na última quinta-feira (26), o presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Fábio Colleti Barbosa, explicou aos senadores das comissões de Assuntos Econômicos e de Acompanhamento da Crise Financeira e da Empregabilidade quais fatores influenciam o alto custo do spread bancário.

Segundo Barbosa, o spread (diferença entre o juro recebido por quem aplica no banco e o juro cobrado pelo banco ao financiar seus clientes) é impactado especialmente pela inadimplência, que representa 37,4% do custo do dinheiro.

Em seguida, diz ele, estão os impostos, com 18,3%, os custos administrativos (13,5%) e o compulsório depositado obrigatoriamente para o Banco Central (3,5%). Já o lucro bancário representa 26,9% do spread.

Questionado sobre os elevados juros cobrados dos consumidores, principalmente no cheque especial, o presidente da Febraban, conforme publicado pela Agência Senado, teria respondido o seguinte: “banco que não tem boa lucratividade corre o risco de morrer, pois ninguém tem coragem de colocar dinheiro em uma instituição que não seja lucrativa.”

Inadimplência

Ainda de acordo com Barbosa, as taxas de juros cairiam muito se a taxa de inadimplência fosse zero. O executivo ainda lembrou que, nos empréstimos onde há garantia, como no financiamento de automóveis, a taxa de juros brasileira se aproxima dos países ricos. Isso porque o banco pode retomar o carro se houver falta de pagamento.

Como um atenuante para o problema, ele apontou a adoção do cadastro positivo, em discussão no congresso, pois na opinião de Barbosa, a ausência de informações confiáveis nos cadastros das pessoas contribui para a elevada inadimplência.

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Na reunião, o presidente da Febraban e os senadores também conversaram sobre a situação geral do crédito no mundo. Barbosa afirmou que o crédito não voltará aos elevados níveis anteriores à crise por um motivo:

“Foi exatamente o excesso de crédito fácil que levou à crise. O crédito vai voltar, mas essa situação não se repetirá.”