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SÃO PAULO – A poupança registrou captação líquida negativa no mês de abril deste ano, o que significa que os saques foram superiores aos depósitos. O professor da FGV (Fundação Getulio Vargas), Paulo César Coimbra, afirmou que isso foi incentivado por incertezas quanto à rentabilidade do investimento, já que o governo anunciou que fará mudanças, e a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) em linha branca, construção e veículos, que estimula o consumo.
“Tem pesado muito as incertezas de todas as conversas, aliadas à redução do IPI sobre carros, eletrodomésticos e materiais de construção, muito mais do que os desdobramentos da crise”, explicou o professor.
De acordo com ele, muitas pessoas já devem estar migrando de volta para os fundos, uma vez que existe uma certeza de alteração na rentabilidade da poupança e o governo não anunciou nada em relação aos fundos. “Os investidores estão apostando que os fundos possam estar mais atraentes no futuro”, disse.
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De acordo com o economista e professor José Dutra Sobrinho, a situação financeira mais difícil das famílias é que norteou o comportamento do poupador.
“Todo mundo bate na tecla da crise, que o desemprego aumentou e as pessoas estão sacando o que pouparam para pagar as despesas no mês. Isso poderia explicar a captação negativa”. Ele explicou que a inadimplência aumentou, o que mostra que falta dinheiro para o consumidor e quem tem poupança acaba recorrendo a ela.
Precisando de recursos
O professor de Economia e Mercado Financeiro da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, concorda e disse acreditar que, diante da crise, o poupador está precisando de recursos. “Houve diminuição da receita familiar, do orçamento, então eles recorrem às reservas”, disse.
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De acordo com ele, o argumento do governo de mudar a rentabilidade da poupança se sustenta a partir do momento em que a Selic cair ainda mais, o que deve acontecer nos próximos meses. “Mas mexer na poupança é sempre muito complicado, ainda mais em um período pré-eleitoral, já que o governo precisa fazer isso de forma que a população aceite”, afirmou, justificando a demora entre o anúncio sobre a mudança (em março deste ano) e a tomada da decisão.