LCA: crédito mais caro e menor aumento do mínimo vão desacelerar consumo

Consultoria prevê que vendas do comércio avançarão 8% neste ano, ante alta de 9,7% registrada em 2007

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SÃO PAULO – O aumento do salário mínimo em menores proporções, bem como o encarecimento do crédito, serão responsáveis por uma desaceleração no consumo dos brasileiros ao longo do ano. Segundo perspectiva da LCA Consultores, as vendas do comércio varejista devem avançar cerca de 8% neste ano, sobre alta de 9,7% verificada em 2007.

“O indicador de tendência de médio prazo de parte relevante dos setores já vem sinalizando desaceleração das vendas, com exceção de Artigos farmacêuticos, médicos, perfumaria e cosméticos, Combustíveis e lubrificantes e Tecidos, vestuário e calçados – que respondem, em conjunto, por cerca de 30% das comercializações”, explicaram os analistas.

Taxas de juros e mínimo

Segundo a PMC (Pesquisa Mensal do Comércio) com informações de janeiro, publicada na última semana pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o volume de vendas, considerando os ajustes sazonais, teve incremento de 1,8% sobre dezembro.

Os especialistas da consultoria lembraram que “as taxas de juros no mercado financeiro apresentaram alta relevante desde meados do ano passado – na esteira do aumento da aversão ao risco provocado pelo surto recessivo americano; do repique da inflação doméstica (que aumento a incerteza inflacionária); e do discurso mais conservador do Banco Central, sobretudo na última ata do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada em 13 de março”.

Segundo a Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças), a taxa média de juros cobrada nos financiamentos à pessoa física manteve sua tendência de alta iniciada em janeiro e passou de 7,23% mensais para 7,25% ao mês em fevereiro, mostrando alta de dois pontos-base. Sobre os 7,18% atingidos em dezembro, que representaram o menor patamar desde 1995, houve um aumento de sete pontos-base.

Conforme a LCA, o spread cobrado pelos bancos também está em alta, influenciado, sobretudo pelo aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que encarece as operações de crédito. Por fim, foi citada a desaceleração dos ganhos de renda real, principalmente nas classes de renda mais baixa, em função do reajuste mais modesto do salário mínimo neste ano – que será o menor desde 2004, em termos reais. Desde 1º de março, o mínimo passou de R$ 380 mensais para R$ 415.