Publicidade
SÃO PAULO – O financiamento de imóveis na planta com bancos, modalidade que passou a existir em meados do ano passado, continua sendo a aposta das incorporadoras para 2008. O crédito é fornecido com taxas a partir de 7% ao ano. Antes de lançada essa possibilidade, o empréstimo para a compra de apartamentos ainda em construção era fornecido apenas pelas construtoras, que empregavam juros maiores e corrigiam as parcelas pelo IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), em vez da TR (taxa referencial).
Segundo José Dutra Vieira Sobrinho, matemático financeiro, de janeiro de 1999 a dezembro de 2007, contratos de crédito imobiliários corrigidos monetariamente pela TR tiveram acréscimo acumulado de 28,8%- o total representa um quinto do registrado pelo IGP-M, de 152,7%.
Mais recursos, menos juros
A Gafisa anunciou o primeiro projeto do tipo em julho do ano passado. A resposta foi imediata: de 50% a 85% de seus lançamentos feitos desde então contaram com empréstimos durante a construção. “Os detalhes do financiamento variam conforme o número de meses que a obra tem. Depende de cada projeto, tem uma taxa específica”, explicou Luiz Fernando Cruz, gerente financeiro da empresa.
Planner InfoMoney
Mantenha suas finanças sob controle neste ano
Segundo o executivo, pelo fato de os bancos terem maiores recursos para emprestar – em outras palavras, possuem mais dinheiro em fundo – fica mais fácil conceder crédito a taxas menores e em prazos maiores. Pela companhia, o sistema funciona da seguinte maneira: a construtora financia diretamente ao cliente, sem juros, a entrada, que representa em torno de 10% do valor do imóvel. Os 90% restantes são emprestados pelas instituições financeiras, que, durante as obras, empregam juros em torno de 8,2% ao ano (para edificações acima de R$ 350 mil) e entre 7% e 7,6% ao ano (unidades abaixo desse valor).
Depois que as chaves são entregues e o mutuário não possui mais custos com a habitação temporária, a taxa anual sobe para em torno de 10,5% e 11%, ambos ao ano. O período para pagamento é de até 25 anos.
A Brascan Residential Properties possui algo parecido. A incorporadora financia até 30% do valor do imóvel durante a construção. Clientes que ao fim do período não tiverem parcelas atrasadas nos 12 meses anteriores são automaticamente aprovados para receberem o financiamento no banco indicado.
Continua depois da publicidade
“Tentamos buscar que o cliente tenha uma condição e uma garantia de financiamento que não seria encontrada em um produto comum”, explicou o superintendente de incorporação da empresa, Leon Bensoussan. “Chamamos de adimplência premiada: a única coisa exigida é que a parcela do empréstimo do banco seja igual à média dos últimos 12 meses pagos para a construtora”.
As obras duram de 24 a 30 meses. Nesse período, em que o cliente financia a compra com a incorporadora, não há incidência de juros. Mas as parcelas são reajustadas com base no CUB (Custo Unitário Básico) da construção civil.
Nova parceria
O Banco Nossa Caixa e a InPar – empresa de construção e incorporação imobiliária – anunciaram na última segunda-feira (18) parceria para a construção e venda de imóveis. “A parceria é extremamente importante porque nos permite ampliar a oferta de financiamento de imóveis neste momento em que a construção civil vive no Brasil uma de suas melhores fases”, afirmou o presidente do Nossa Caixa, Milton Luiz de Melo Santos.
A InPar está entre as cinco maiores construtoras do País nos segmentos econômico e médio padrão, perfil de grande parte dos clientes do Banco Nossa Caixa. “Esse alinhamento estratégico será o grande catalisador desta parceria”, comentou o presidente da incorporadora, César Augusto Parizotto.
As regras para a concessão do crédito, como taxas, prazos e limite a ser financiado, serão definidas pelo banco de acordo com as características de cada obra. Os dois primeiros empreendimentos serão construídos na região do Morumbi e Lapa, em São Paulo. Juntos, são 542 unidades com valor de venda entre R$ 160 mil e R$ 260 mil.