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SÃO PAULO – O aumento das vendas do varejo é resultado mais do incremento da renda do brasileiro do que da liberação de crédito ao consumidor. A afirmação foi feita na última quinta-feira (27) pelo diretor de Política Econômica do Banco Central, Mário Mesquita, durante apresentação do Relatório Trimestral de Inflação.
O executivo lembrou que, na composição do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), 9,8% referem-se ao consumo de bens duráveis e 26,5% de não-duráveis. “Então tem uma ampla gama de produtos que são os semi-duráveis e não-duráveis que normalmente não são adquiridos a crédito, cuja demanda responde à renda. Portanto, a renda ainda tem um papel importante para determinar a expansão da demanda agregada”, disse à Agência Brasil.
Restrições ao crédito
Apenas a título comparativo, dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que, em 2007, a renda do brasileiro cresceu 2,3% entre dezembro de 2006 e o mesmo período do ano passado, atingindo R$ 1.163,90. Já a liberação de empréstimos e financiamentos, aponta o BC, teve avanço em torno de 20%.
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No relatório, o Copom (Comitê de Política Monetária) reiterou a preocupação com o crescente avanço na procura por bens e serviços, por haver um descompasso na oferta e na demanda.
De qualquer maneira, sobre a possibilidade levantada recentemente pela imprensa de o Governo restringir a liberação de crédito para o consumo, por meio de redução nos prazos de financiamento, o diretor afirmou que a autoridade monetária não tem tradição de “pré-anunciar medidas”.
No mesmo dia, também em entrevista à Agência Brasil, o secretário de Abastecimento e Preços do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou que o crescimento do consumo é efeito da variação do câmbio, do fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) do crescimento da massa salarial e da queda da taxa de juros.
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“O Governo não quer limitar os números de prestações. As famílias sabem o que podem gastar, o BC tem mecanismos, junto com os bancos, para avaliar os riscos. Isso é uma decisão que o consumidor tem que ter para ele mesmo”, garantiu.
Inflação
A projeção do Copom para a inflação em 2008 é 4,6%, 0,1 ponto percentual acima do centro da meta fixada pelo governo (4,5%). O índice é 0,3 ponto maior do que o projetado em dezembro de 2007. A projeção leva em conta o cenário de referência, com a manutenção do dólar em R$ 1,70 e dos juros em 11,25%.