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SÃO PAULO – Segundo relatório da Consultoria Tendências, sobre a Nota de Política Monetária, existe, atualmente, no Brasil, um movimento de migração na concessão de crédito em direção a linhas com condições de financiamento desfavoráveis e com maior potencial de inadimplência.
Em outubro, as concessões associadas às modalidades como cheque especial e cartão de crédito cresceram 4% e 23%, respectivamente, na comparação com igual período do ano passado. Por outro lado, as linhas sujeitas à aprovação, como financiamentos de veículos e crédito pessoal apresentaram queda de 59% e 19%, nesta ordem, na mesma base de comparação.
Inadimplência
De modo geral, de acordo com informações do BC (Banco Central), houve uma piora nas condições gerais de empréstimos no Brasil. Como conseqüência da crise internacional, os bancos estão mais seletivos nas novas concessões de empréstimos. Além disso, também por conta da atual conjuntura econômica, pode ser observado um aumento nos spreads cobrados.
Nos empréstimos à pessoa física, o spread subiu 1,2 pp, atingindo 39,7% ao ano. Dessa forma, a taxa média de aplicação das linhas a pessoas físicas foi elevada para 54,8% a.a., alta a 1,7 ponto percentual.
No que diz respeito à inadimplência, esta apresentou elevação no período analisado. Contudo, o patamar de atrasos superiores a 90 dias foram menores do que o esperado, 0,1 p.p. na passagem de setembro a outubro, fechando o mês em 7,4%. Entre as pessoas jurídicas, a inadimplência foi de 1,7%.
Previsão
Para os próximos meses a Consultoria acredita que não haja melhoras, sendo que a inadimplência dos empréstimos destinados a pessoas físicas e jurídicas devam ficar entre 7,8% e 2,1%, nesta ordem. Apesar das elevações, os patamares registrados de atrasos não devem ser maiores do que os registrados em anos anteriores, pois, mesmo com o desaquecimento da economia, a evolução do mercado de trabalho e a possível melhora nas condições de empréstimos devem conter a inadimplência.