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SÃO PAULO – De acordo com a Pesquisa de Orçamento Familiar 2002-2003, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a alimentação é o segundo item mais pesado para as famílias brasileiras, perdendo apenas para as despesas com habitação.
Desta maneira, quem não quer jogar dinheiro no lixo deve evitar o desperdício de comida. Para a secretária-executiva adjunta do MDS (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome), Arlete Sampaio, os hábitos dos consumidores contribuem para o aumento do desperdício de alimentos.
Dia Mundial da Alimentação
Para celebrar o Dia Mundial da Alimentação – que lembra o surgimento da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), em 16 de outubro de 1945 – este ano, foi levantada a bandeira do “direito à alimentação”.
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Segundo a ONG Banco de Alimentos, pesquisas apontam que 39 milhões de quilos de alimentos foram desperdiçados por dia no Brasil em 1999, quantidade suficiente para alimentar 19 milhões de brasileiros.
“Muitas vezes vamos à feira e esmagamos as frutas para ver se estão boas ou não. Aqueles produtos, evidentemente, acabam indo para o lixo, sendo que poderiam ter alimentado uma pessoa”, argumenta Arlete, em entrevista à Agência Brasil.
Quanto maior o consumo, maior o desperdício
Ainda de acordo com a secretária-executiva adjunta do MDS, o desperdício vem justamente das famílias que consomem mais, daquelas parcelas que podem comprar e que nem sempre utilizam de maneira adequada os alimentos.
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Para ela, o governo não pode resolver todos os problemas ao mesmo tempo, apesar de ser necessário aprimorar a política de abastecimento no Brasil. “No entanto é muito mais um comportamento do mercado do que uma política estabelecida evidentemente”, acredita.
Já a presidente da ONG Banco de Alimentos, Luciana Quintão, acha que o combate ao desperdício deve ocorrer por meio de políticas públicas. “É claro que a consciência da população é muito importante para evitar o desperdício, mas a origem da questão é realmente a política”.
Má nutrição X classes sociais
Segundo a pesquisadora de processamento de alimentos da Embrapa Agroindústria de Alimentos (empresa vinculada ao Ministério da Agricultura), Virginia da Matta, as pessoas mais ricas, que têm mais acesso aos alimentos, também apresentam problemas de má nutrição.
“Não necessariamente a classe mais baixa tem problemas de má nutrição. Na classe A as pessoas também não se alimentam adequadamente. Então, há problemas de [falta] nutrientes que deveriam vir dos alimentos”, afirma Virginia.