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SÃO PAULO – Representantes de instituições financeiras e de consumidores se mostram preocupados com os possíveis efeitos prejudiciais do constante avanço da liberação de crédito. Em debate realizado na última quarta-feira (17), durante o 2º Congresso do Mercado Brasileiro de Meios Eletrônicos de Pagamentos, foi lembrado que o uso não-consciente de recursos financeiros resulta, invariavelmente, no superendividamento.
“Essa questão é muito importante. Vemos que o financiamento de automóveis, por exemplo, bate recordes. Então temos muitos motivos para nos preocuparmos, e os fornecedores são os principais interessados em que o consumidor mantenha um endividamento consciente”, afirmou o vice-presidente da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), Antonio Jacinto Matias.
Em números
Dados sobre agosto divulgados pela federação mostram que, naquele mês, foram concedidos R$ 841,5 bilhões em empréstimos, sendo que R$ 287,6 bilhões foram liberados a pessoas físicas. Ao levar apenas em consideração o dinheiro encaminhado aos consumidores, o avanço é de 30% sobre o mesmo mês de 2006.
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Como exemplo de um dos grande financiadores dos brasileiros, Matias citou o cartão de crédito. Somando quase 90 milhões de unidades em circulação, serão R$ 16 bilhões movimentados apenas neste mês, conforme previsão da Cartões Itaú. E mais da metade das compras são pagas em mais de uma vez.
“Os plásticos são grandes facilitadores das compras, mas também do aumento do crédito, que, se não usado da maneira correta, pode ser prejudicial”, lembrou o vice-presidente da Febraban.
Preparação
Ângela Crespo, jornalista com mais de 15 anos de experiência na área financeira, lembrou que parte considerável das solicitações de leitores diz respeito ao superendividamento. “O crédito possibilita a realização de sonhos. Mas para realizar sonhos, temos que estar com o pé o chão. Mas o brasileiro não está”, contou.
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A jornalista entende que os consumidores devem ser responsabilizados pelas dívidas que contraem, mas acredita que seja imprescindível uma boa orientação no momento em que o financiamento é contratado. “Falta preparo dos funcionários das financeiras”, resumiu.
“Não conheço nenhum comerciante ou empresa satisfeitos por ter cadastro de devedores. E não conheço nenhum inadimplente que fique feliz com essa situação. É um perde-perde”, rebateu o gerente-geral da Mastercard no Brasil, José Tosi, lembrando que diversos bancos já fazem programas de conscientização do uso do crédito.