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SÃO PAULO – A criação de um cadastro positivo [lista de bom pagadores], além de possibilitar menores taxas de juros àqueles que costumam pagar suas contas em dia, garantirá o acesso ao crédito de consumidores que antes não conseguiam fazer um contrato do tipo. A conclusão é do Perc (Conselho de Pesquisas Políticas e Econômicas), que avalia a possibilidade do número de mutuários caracterizados como “seguros” dobrar.
“O sistema conduzirá a um aumento nos empréstimos para grupos que tradicionalmente não têm acesso ao crédito, como pessoas de baixa renda e membros de minoria”, explicou Michael Turner, presidente do Perc e co-autor do trabalho.
Fora do País
Conforme simulações, realizadas em países da América Latina, Estados Unidos e Japão, tanto os consumidores como as economias se beneficiam com um sistema de informações completas sobre crédito.
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Nos Estados Unidos, por exemplo, foi detectado que essas parcelas da população eram responsáveis por uma larga parcela do crescimento nos negócios.
“Na Colômbia, a inclusão de dados positivos aumentou o acesso das mulheres ao crédito até a quase igualdade, com 50%-50%, saindo de uma situação na qual dois terços dos empréstimos eram feitos a homens”, acrescentou Turner.
Negócios inteligentes
Além disso, se a participação em um sistema de informações sobre crédito crescer de 50% para 100%, as instituições financeiras poderão aumentar o capital privado no mercado em até 47,5%. Este aumento na estimulação ao capital pode levar a um crescimento de 0,75% no índice de aumento do PIB (Produto Interno Bruto).
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“O uso ao mesmo tempo de informações positivas e negativas significa empréstimos feitos de maneira mais inteligente”, disse o Dr. Turner. “Empréstimos inteligentes significam queda nos índices de inadimplência.”
O projeto
No início de agosto, a Câmara aprovou projeto de lei sobre o tema (836/03), de autoria do deputado Bernardo Ariston (PMDB-RJ). O PL (5.870/05) sobre o mesmo assunto, lançado pelo governo no pacote de medidas com intenção de reduzir os spreads * bancários e, conseqüentemente, os juros cobrados ao consumidor, foi apensado a esse texto. O documento, agora, deve ser apreciado pelo Senado.
Enquanto a aprovação do PL não chega, a Associação Comercial de São Paulo começou a utilizar a estrutura de seu banco de dados para criar um sistema parecido. Já atua um projeto piloto que, em parceria com a norte-americana Fair Isaac, cria uma espécie de rating para classificar os consumidores e analisar a possibilidade de risco de inadimplência de cada um.
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“Assim será possível empregar juros diferentes, de acordo com o perfil de cada comprador”, explicou Marcel Solimeo, economista da entidade, adicionando, contudo, que a otimização do programa se dará com a efetiva aprovação do cadastro positivo.
*diferença entre as taxas de captação e de empréstimo