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SÃO PAULO – O consumidor que procura um local ambientalmente correto para viver não deve se iludir com a proposta de áreas verdes dos grandes empreendimentos. De acordo com o Instituto Akatu, para ser sustentável, um edifício deve oferecer bem mais que isto: a idéia é que o prédio agrida o menos possível a natureza, desde a construção até a manutenção.
O conceito de construção verde surgiu nos Estados Unidos e já chegou à Europa e Ásia. Aqui no Brasil, por sua vez, a certificação que garante que o prédio é realmente “verde”, chamada de Liderança em Design Ambiental e Energético (LEED, na sigla em inglês), está sendo procurada cada vez mais.
“No segundo semestre do ano, o crescimento foi de 100% em relação a 2006”, disse Paola Figueiredo, da diretoria da Sustentax, empresa responsável pela certificação no Brasil, segundo o Instituto Akatu. O selo passou a ser reconhecido internacionalmente a partir de 2004 e demora bastante a ser concedido. Para se ter uma idéia da dificuldade, o único edifício da América Latina que conseguiu o selo definitivo foi uma agência do Banco Real, em junho deste ano.
Vantagens para o bolso
Segundo o Instituto Akatu, além de respeitar o meio ambiente, os “edifícios verdes” devem permitir vantagens financeiras para quem os habita. Devido ao menor consumo de água e energia, por exemplo, os valores das taxas de condomínio chegam a ser, em média, de 20% a 25% mais baratas que de prédios convencionais, conforme disse Paola.
Esses imóveis ainda podem se transformar em um ótimo investimento. “O poder de revenda de um imóvel que consome menos é muito maior do que um convencional”, disse o gerente de estudos de mercado da área de crédito imobiliário do Banco Real, Marcelo Valdrighi.
O real problema, no entanto, é o consumidor conseguir identificar se o prédio é ecologicamente correto. De acordo com o deputado estadual e coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Água, Sebastião Almeida (PT-SP), estes prédios prezam a sustentabilidade. “Reaproveitam nas construções o máximo dos recursos que a natureza nos deu”, disse.
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Fique atento!
O Instituto Akatu montou uma lista que mostra quais os pontos que o consumidor deve atentar para que escolha realmente um prédio ecologicamente correto, que pode trazer vantagens financeiras. Veja abaixo:
- Energia: As áreas em comum precisam ter sensores; o imóvel deve aproveitar a luz natural; é imprescindível a existência de painéis solares; e o imóvel deve ter vidros que bloqueiam parte dos raios infravermelhos e melhoram o desempenho do ar condicionado;
- Água: Conta individual para controle do orçamento doméstico; empreendimento deve ter coleta e armazenamento para reuso; unidades devem ter sistema de descarga duplo para rejeitos sólidos e líquidos; e regulagem de fluxo de água nas torneiras;
- Lixo: O condomínio deve ter coleta seletiva e encaminhamento do material para cooperativas de catadores ou para o serviço público;
- Qualidade de vida: Os ambientes devem ser ventilados;
- Fase de construção: Deve-se usar sobras de aço; o cimento escolhido deve ser o CP III – que emite até 70% menos CO2 que os convencionais; uso de madeira certificada em toda a obra; uso de cores claras, que não absorvem tanta energia; e entulhos devem ser enviados para a reciclagem.