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SÃO PAULO – Os resultados trimestrais do setor de construção civil reduziram a confiança do investidor, escreve em relatório o analista José Cataldo, da Ágora Corretora.
“No setor, onde aparentemente não existem ganhos de escala, vemos benefícios limitados para as grandes empresas frente às menores, a não ser a maior líquidez no mercado acionário”, alerta.
Cyrela e Helbor: Top Picks
Apesar disso, a ação da Cyrela (CYRE3) aparece, ao lado da Helbor (HBOR3), como a top pick da corretora para o setor. O analista ressalta que, apesar da Cyrela ter sido prejudicada pelo modelo de crescimento acelerado, ela foi a primeira a voltar atrás.
Com recomendação de compra para ambas, o preço-alvo da Cyrela para dezembro deste ano é de R$ 26,00, enquanto o da Helbor é de R$ 35,10. O potencial teórico de valorização para as ações da primeira é de 48,06% e, para a segunda, é de 25,22%, levando em conta o preço do fechamento de quinta-feira.
A Cyrela alterou seus planos em março de 2011, quando reduziu significativamente o guidance de lançamentos e vendas para aquele e para esse ano. Apesar da forte queda no pregão seguinte ao anúncio, as ações da construtora apresentam a segunda maior alta entre os papéis do setor listados no Ibovespa no ano, com valorização de mais de 14%.
Foco no longo prazo
“Além disso, acreditamos que as empresas que tenham foco em empreendimentos de maior rentabilidade, ante outras que buscam rápido crescimento, devem apresentar melhores resultados trimestrais”, complementa Cataldo.
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O analista diz que as empresas que possuem um único acionista majoritário, com um envolvimento nas operações da empresa no longo prazo – utilizando-se de estratégias distintas à distribuição de bônus e ao programa de opções de ações. Isso porque essa estratégia costuma estar desalinhada com o ciclo de projetos do setor e leva a surpresas negativas nos números da companhia, justifica.
Atenção ao segmento de baixa renda
Por outro lado, o analista se mostra mais cético quanto ao segmento de baixa renda. Além dos limites do programa Minha Casa, Minha Vida e da projeção de redução no poder de compra das famílias alcançadas pelo programa, Cataldo alerta que as construtoras que tentaram diversificar suas atividades para outro segmento, que não o principal, acabaram se prejudicando.