Santander: alta na inadimplência tem espaço para melhora no 2º trimestre

Vice-presidente do banco garante que não há perigo significativo na carteira de crédito, apesar de menor taxa de cobertura

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SÃO PAULO – Apesar de apontar para a desaceleração da taxa de devedores durante o segundo semestre de 2011 e o fortalecimento de capital conseguido, principalmente, com a venda de sua seguradora à Zurich, por R$ 2,7 bilhões, o Santander (SANB11) registrou aumento na inadimplência acima de 90 dias durante o quarto trimestre.

Em dezembro, esse nível terminou em 6,7%, contra 5,8% um ano antes. O índice foi fortemente influenciado pelos clientes pessoa física no período, com 9,0% – 1,4 ponto percentual acima do mesmo período de 2010. Segundo Oscar Rodrigues Herrero, vice-presidente executivo, os inadimplentes devem ainda permanecer em alto patamar entre janeiro e março deste ano, mas, a partir do segundo quarto, haverá espaço para melhora.

Crédito duvidoso
Ele cita o aquecimento da economia brasileira, com baixo desemprego e aumento da renda, representado pelo reajuste do salário mínimo em 14,13%, como propulsor da melhora na inadimplência. “Não há perigo significativo em carteira”, garantiu o diretor, em teleconferência com investidores. Em linha com essa declaração, a provisão para créditos de liquidação duvidosa recuou no fim do ano passado, em 14,17% na comparação trimestral.

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O problema é que o nível de cobertura dos possíveis calotes ao banco foi reduzido por conta dessas variáveis. Caso todos os clientes inadimplentes ou com alto risco de sê-los deixassem de pagar, o colchão para resguardar o Santander dessa operação resultaria em recuperação de 86%, contra 98% em dezembro de 2010.

Captação do banco
Apesar de os empréstimos terem subido e a inadimplência ter ido na mesma direção, a captação do banco via depósitos a vista de seus correntistas diminuiu. Foram R$ 13,56 bilhões conseguidos nesse segmento, um recuo de 15,9% em um ano. A poupança também teve um desempenho em queda, de 23,1% na mesma comparação, registrando R$ 23,29 bilhões no fim do período.

Herrero explica que essa tendência não indica exatamente uma queda no número de clientes – em 12 meses, a adição líquida foi de 1,24 milhão de clientes, em um momento no qual o Santander mira ser o banco preferido dos brasileiros até o final de 2013. Ele lembra que as variações foram causadas pelo lançamento de uma linha de produtos que afetam negativamente tanto a poupança como os depósitos a vista, e impulsionam aportes a prazo.

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Mesmo com a redução no funding desse tipo, ele cita a emissão de Letras Financeiras como uma das operações que salvou a captação como um todo durante 2011. No período, o financiamento total à instituição foi de R$ 271,22 bilhões para R$ 293,53 bilhões.