Orçamento: ferramenta de educação financeira

É através dele que damos o primeiro passo para ter autoconsciência financeira e assumir o controle responsável do seu dinheiro

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SÃO PAULO – O objetivo do orçamento pessoal é mostrar se há equilíbrio entre o que você ganha e o que gasta. É o primeiro passo para ter autoconsciência financeira e assumir o controle responsável do seu dinheiro.


Educação financeira
não é algo que se aprende em casa, na escola ou na faculdade. Com raras exceções, famílias e instituições não estão preparadas para desenvolver essas habilidades essenciais.

Por isso é comum encontrar profissionais bem sucedidos em suas carreiras, ganhando salários muito acima da média do mercado, mas incompetentes na administração do próprio dinheiro e na construção do patrimônio pessoal. Boa parte chega a decretar falência pessoal ou são impedidos de abrirem contas bancárias, ter cheque e cartão de crédito ou simplesmente fazer um financiamento para a compra de algum bem.

Sucesso de longo prazo

A educação financeira torna-se condição essencial para garantir o sucesso pessoal no longo prazo, ao lado de conhecidos fatores tão alardeados pelos consultores de carreiras: domínio do segundo e/ou terceiro idiomas, inteligência emocional, educação continuada de excelência e saber construir redes de relacionamento.

São muitos os benefícios oriundos da adoção de um orçamento. Saber qual o alcance da sua renda ajuda a evitar a contratação de dívidas além da sua capacidade de pagamento. Conhecer a estrutura dos seus gastos permite a identificação e o corte das despesas desnecessárias.

Por outro lado, o descontrole financeiro pode levar às dívidas. E dever dinheiro a instituições financeiras no Brasil é uma condição extremamente arriscada.

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A tabela abaixo mostra as taxas mensais de juros cobradas no mês de março do consumidor para os diversos tipos de financiamento.






















Crédito ao consumidor Taxa de juro (% ao mês)
Crediário 5,14 %
Cheque 8,17 %
Cartão 10,29 %
CDC Banco 3,42 %
Empréstimo pessoal 5,63%
Financeiras 11,61 %

Fonte: Anefac, taxas referentes ao mês de março 2006

Se comparado à média de 1% a.m. que se recebe em um investimento de renda fixa, é fácil observar como a desorganização das finanças pune o indivíduo.

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O descontrole é de tal ordem que há pessoas que incorporam o limite do cheque especial à sua capacidade de compra. Outros rolam as dívidas do cartão de crédito indefinidamente ou até que seu cartão seja bloqueado. Em ambos os casos, desconhecem o poder dos juros compostos sobre suas dívidas.

Peso dos juros

Engana-se quem pensa que o juro cobrado pelo cartão de crédito em 1 ano seja igual à taxa mensal multiplicada por 12 meses ou 10,29% x 12 = 123,48%. Quando aplicado o juro sobre juro, o percentual quase que dobra, conforme demonstrado a seguir.

Tomemos como exemplo a manutenção de R$ 300,00 como saldo devedor no cheque especial, no cartão de crédito e o mesmo valor aplicado em um fundo de renda fixa, remunerado a 1% a.m., pelo prazo de um ano. No primeiro caso, ao final de 12 meses a dívida seria de R$ 769,84 ou 156,61% de variação sobre o valor principal. No cartão de crédito a dívida chegaria a R$ 971,75 ou 223,92%. Os mesmos R$ 300,00 aplicados naquele fundo de renda fixa chegariam a R$ 338,05 ou 12,68%.

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Evitar dívidas dessa natureza é um dos pontos essenciais no processo de educação financeira. Se você gasta mais do que ganha, é hora de avaliar a natureza dos seus desembolsos e cortar tudo o que for necessário para equilibrar o orçamento, até que consiga ter uma sobra de dinheiro.

Começo

O primeiro passo consiste em relacionar em uma folha de papel ou planilha eletrônica todas as despesas realizadas no mês, inclusive aquelas menores pagas com o dinheiro do dia-a-dia. Relacione também as dívidas (empréstimos, financiamentos), as receitas (salários e outros rendimentos) e os investimentos (bens, aplicações).

Ao final desse processo você conhecerá participação de cada desembolso no orçamento, ou seja, para onde vai o seu dinheiro.

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O segundo passo é avaliar criticamente a composição destas despesas e ajustá-las à sua realidade de rendimentos. É essencial a participação nesse processo de todos os responsáveis pelas receitas e despesas da casa, para que o contrato psicológico seja firmado por todos. Essa colaboração na construção do destino dos recursos da família aumenta o senso de responsabilidade dos envolvidos, torna o processo menos sofrido e evita que o orçamento seja apenas uma peça de ficção inatingível. Lembre-se, o papel aceita tudo.

Ajuda muito se o orçamento for um instrumento para se alcançar alguns objetivos palpáveis. Afinal, ter metas é fator motivacional para todos. A realização dos sonhos tende a ser mais possível quando se planeja o que quer e todos os interessados participam da construção desse caminho.

Após isso, sugere-se avaliar mensalmente os resultados e compará-los com o previsto no orçamento. A tendência é que algumas modificações precisem ser feitas até que você tenha total conhecimento sobre os fatores geradores das despesas.

Conseguir equilibrar o orçamento pessoal ou familiar é um dos passos iniciais mais importantes da educação financeira. Assumir as rédeas do seu caixa é condição sine qua non para se ter uma relação mais saudável com o dinheiro e transformar-se em um investidor de sucesso.

(*) Rodrigo Felismino – Consvita Consultores Associados (www.consvita.com.br / rfelismino@consvita.com.br)