Aumento dos juros era esperado. Mas no que isso afeta a sua vida?

Objetivo é conter a inflação, mas economia pode crescer menos; impacto varia, dependendo se você tem dívidas ou investe

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SÃO PAULO – Confirmando as expectativas do mercado, que já apostava em mais um aumento da taxa básica de juros, o Copom (Comitê de Política Monetária) anunciou na semana passada a sexta elevação consecutiva da Selic. Mais uma vez a elevação foi de meio ponto, e agora a taxa se encontra em 18,75% ao ano.

Mas, afinal, no que esta decisão, ainda que esperada, efetivamente afeta a sua vida? De maneira simplificada pode-se dizer que o Copom tem um objetivo em mente ao elevar a taxa de juros: conter o avanço dos preços. Neste contexto, caso esta estratégia seja bem sucedida, o consumidor sairia ganhando pelo menor avanço dos preços. Mas será que é isso que está acontecendo?

Como a elevação dos juros controla a inflação?

Para quem não está familiarizado com o assunto, fica a dúvida de como o aumento dos juros pode efetivamente reduzir o ritmo de elevação dos preços, ou seja, a inflação. Ao elevar os juros, o Copom acredita poder conter a inflação de demanda, ou seja, o aumento dos preços causado pelo excesso de consumo.

A idéia básica é restringir o consumo através do encarecimento dos empréstimos. O mecanismo é simples: como a Selic é usada como referência na determinação dos juros cobrados pelos bancos aos consumidores, sua elevação torna mais caro emprestar dinheiro. Diante do maior custo de emprestar dinheiro, a população tende a consumir menos e, ao menos teoricamente, isso ajuda a conter a inflação.

O grande problema é que a inflação brasileira é alimentada pelo aumento das tarifas públicas, o que inclui as contas de luz, telefone, água, etc. Sobre estes preços, também conhecidos como “preços administrados” o aumento dos juros tem pouco impacto.

Preços sob controle, mas a que custo?

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Os defensores da política de juros altos do Copom alegam que, se não fosse esta política, os preços teriam subido mais. Considerando que a inflação nos últimos 12 meses ficou ao redor de 7%, muitos brasileiros não entendem tanto rigor.

Principalmente porque o aumento dos juros tem um efeito perverso sobre a economia, comprometendo a geração de emprego e, em decorrência, o aumento dos salários. Este é, na verdade, o grande dilema por trás dos recentes aumentos da Selic. Se de um lado a elevação da Selic assegura o maior controle da inflação, por outro acaba diminuindo o potencial de crescimento da economia.

Para o consumidor, resta a dúvida. Será que vale mais a pena evitar o crescimento da inflação, ou garantir a geração de novos empregos? Para quem está sem emprego, a resposta a esta dúvida é simples. Mas, para quem está com o orçamento apertado e não goza aumento de salário há algum tempo, a resposta pode ser outra.

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Impacto varia dependendo da pessoa

Todos nós somos afetados pelo impacto da Selic no avanço dos preços que, por sua vez, compromete a geração de empregos. Mas, a nível individual, o impacto do aumento dos juros pode acabar sendo melhor ou pior, dependendo do seu perfil enquanto consumidor.

Você está atrasado com suas contas, por mais que se esforce não é capaz de controlar seus gastos, e, portanto está atolado em dívidas? Ou é daqueles que tem os gastos bem planejados, e consegue até mesmo, pasmem, poupar uma quantia fixa todos os meses, fazendo, assim, parte dos poucos brasileiros que efetivamente investem?

Para quem possui dívidas, o aumento da Selic é uma preocupação a mais. Não é porque a Selic subiu que o financiamento do seu carro vai ficar mais caro. Mas, o risco existe, e isso significa gastar mais com a prestação, e comprometer mais o seu orçamento. Nos últimos meses a maioria dos bancos e varejistas evitou repassar o aumento da Selic para o consumidor, pois não queriam comprometer o consumo. Porém, esta situação pode mudar, até porque não existe perspectiva de que os juros caiam em breve.

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Já quem investe pode até gostar da decisão, mas isso também depende de onde seu dinheiro está aplicado. Quem investe em renda fixa pós-fixada, ou seja, em fundos DI, CDB Pós, etc, sai ganhando, pois o retorno da aplicação aumenta. Mas, se o seu dinheiro está na bolsa, é possível que o seu ganho seja reduzido. Isso porque o menor crescimento da economia prejudica as vendas das empresas, e acaba comprometendo o pagamento de dividendos, e a própria valorização das ações.

Uma coisa é certa: não dá para ignorar o noticiário sempre que anunciam uma mudança nos juros da economia. A julgar pela Ata do Copom divulgada nesta quinta-feira, dia 24, o aumento dos juros pode, ao menos estar próximo do fim.