Gastos com mensalidade escolar subiram mais do que a inflação em sete anos

Dieese apontou reajustes abusivos nos gastos com serviços relacionados à educação; preço dos bens acompanhou inflação

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SÃO PAULO – Todo início de ano é a mesma coisa, contas que não param de chegar e reajustes aplicados em praticamente todas as contas. E não poderia ser diferente com os gastos com educação. A alta de preços para janeiro, apesar de esperada, foi considerada surpreendente devido à sua intensidade.

De acordo com estudo divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), os gastos com Educação e Leitura impulsionaram a alta do Índice de Custo de Vida (ICV) de janeiro, que passou de uma alta de 0,32% em dezembro para uma elevação de 1,46% no último mês.

Reajuste acima da inflação

Dados do Dieese mostram que a alta do ICV acumulada desde janeiro de 1997 a janeiro de 2004 chega a 72,05%, com o grupo Educação e Leitura liderando com um dos mais elevados aumentos no mesmo período: 88,40%, sendo que a educação apresentou maior alta dentro do grupo, de 91,92%, enquanto o subgrupo leitura elevou-se em 49,25%.

Os maiores gastos das famílias são com serviços, enquanto uma parcela pequena corresponde às despesas com bens. Para se ter uma idéia, nos últimos sete anos os gastos com as mensalidades do Ensino Fundamental aumentaram 94,06%, enquanto no Ensino Médio subiu 93,82%. Para quem cursa universidade as despesas mais do que dobraram, ao passo que sofreram reajuste acumulado de 124,32%.

Os cursos diversos (64,52%) e a pré-escola (70,48%) tiveram elevações abaixo da inflação acumulada no período medida pelo ICV-Dieese. E foram também as mensalidades das escolas de 1º (12,98%) e 2º graus (12,56%) e das universidades (12,04%) que ditaram a elevação dos preços com Educação em janeiro de 2004.

No que se refere aos bens, como era de se esperar os gastos com livros foram os que mais subiram entre 1997 e 2004, ao passo que ficaram 101,39% mais caros no período. Em seguida, notou-se um gasto maior com a compra de lápis/canetas (81,95%), outros produtos de papelaria (81,95%) e cadernos/papéis (31,32%).

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Com folga, reajuste poderia ser evitado

Ainda de acordo com o estudo do Dieese, analisando os dados ano a ano os reajustes nas mensalidades escolares podem ser considerados abusivos em 2004. No acumulado entre 1997 e 2003 o ICV ficou em 69,48%, enquanto o reajuste do subgrupo serviços, que engloba as mensalidades, acumulou alta de 76,64%, ultrapassando a inflação do período em 7,16 pontos percentuais.

Esta diferença, portanto, permitiria uma folga para os donos de estabelecimentos de ensino para 2004, o que, de fato, não aconteceu, justificando o entendimento do Dieese de que foram praticados aumentos abusivos neste ano, na média de 10,12% para todos os cursos. Por sua vez, as taxas acumuladas dos bens relacionados ao setor, de acordo com o Dieese, acompanharam o comportamento da inflação ao longo destes anos.