Consumo de gasolina atingiu nível mais baixo desde 1996

Em 2002 consumo ficou em apenas 21,8 bilhões de litros, 6% acima do consumo de 1996; preço, substituição e fraudes explicam a queda

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SÃO PAULO – A combinação de forte aumento dos preços dos combustíveis no ano passado com a substituição da gasolina por outros combustíveis como o GNV (gás natural veicular) e o álcool, e o aumento dos casos de adulteração dos combustíveis fez com que o consumo de gasolina no país caísse para seu nível mais baixo desde 1996. A constatação foi feita pela própria ANP (Agência Nacional de Petróleo).

Pouco acima do volume de 1996

A ANP estima que, no ano passado, o consumo de gasolina tenha ficado em 21,8 bilhões de litros, cerca de 6% acima do registrado em 1996, quando foram consumidos 20,5 bilhões de litros no país.

Na opinião do consultor do Centro Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE), Adriano Pires, o consumo de combustíveis tende a seguir a evolução da economia medida pelo PIB (Produto Interno Bruto), crescendo um pouco mais quando a economia retoma seu desempenho, devido à existência de demanda reprimida.
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Entretanto, dados do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão ligado ao Ministério do Planejamento, constatam que entre 1998 e 2001 as vendas de gasolina caíram 0,9% frente a um aumento do PIB per capita de 0,4% ao ano. Por sua vez, no ano passado, o PIB per capita cresceu 0,35%, e o consumo de gasolina teve uma pequena queda.

Muito acima da inflação

Com base nisto o IPEA descarta a relação entre consumo de gasolina e PIB per capita. Para o presidente da Federação Nacional dos Revendedores de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), Luiz Gil Siuffo, no mínimo 6% da gasolina no mercado seria adulterada, prática que teria se intensificado com o aumento da gasolina e diminuição da fiscalização. A própria ANP estima um índice até maior, de cerca de 10%.

Por sua vez, o representante do CBIE acredita que não só as fraudes são responsáveis pela queda de consumo. Pires acredita que não se possa desconsiderar o forte aumento do consumo de GNV entre os taxistas de São Paulo e Rio de Janeiro. O CBIE estima que entre 1998 e 2001 o consumo de GNV teria aumentado quase cinco vezes.

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A Fecombustíveis estima que toda vez em que os combustíveis aumentam 10% o consumo registra queda de 1%. Segundo a Federação o reajuste da gasolina superou de longe a inflação, uma vez que o litro de gasolina aumentou 170% de R$ 0,80 por litro para os atuais R$ 2,16, divulgados na última pesquisa da ANP. Neste mesmo período, a inflação medida pelo IGP-M acumulou alta de 85,91% e aquela medida pelo INPC apontou alta de 42,19%.