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SÃO PAULO – Ninguém duvida que o Plano Real, introduzido em agosto de 1994, contribuiu para o controle dos preços no país. Até então a inflação que, atualmente alcança dois dígitos somente em termos anuais, superava este patamar todos os meses.
Apesar disto, passados quase oito anos desde o Plano Real, pode-se constatar que o ganho de poder aquisitivo entre os brasileiros não conseguiu manter a tendência que registrou no início da era Real, sobretudo, devido ao forte aumento dos preços administrados.
Preços administrados subiram mais
Dentre os itens essenciais ao brasileiro, o maior aumento foi registrado no gás de cozinha, cujo preço, segundo levantamento do Correio Braziliense, teria subido 540,95% no período, um aumento anual de 26%. Somente no ano passado, o gás de cozinha registrou um aumento de 50% nos preços.
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Neste mesmo período a inflação medida pelo IPCA, índice que é usado para medir a inflação oficial do país, ficou em 42,19%. Assim o reajuste em termos reais do preço do gás, ou seja, a variação acima da inflação, ficou em 498,76%. Somente no ano passado, o gás de cozinha registrou um aumento de 50% nos preços, muito acima da variação do IPCA em 2002 que foi de 12,52%.
Em seguida vieram os reajustes de tarifas de telefonia fixa, que, segundo o jornal braziliense, teriam aumentado 433,37% nos oito anos de Plano Real. Neste mesmo período, brasileiro sofreu pressões no orçamento com o reajuste de 334,61% da gasolina e de 255,91% das tarifas de energia. No ano passado, o reajuste médio da gasolina teria ficado em 50% e o da conta de luz em 14,5%.
Menos horas trabalhadas
Mas não foram apenas os preços administrados que subiram durante o Plano Real, visto que a cesta básica divulgada pelo Dieese apontou no período uma alta de 131,51%, dos quais 22,7% somente no ano passado.
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Apesar disto, quando se analisa a relação do custo da cesta básica sobre o salário mínimo desde 1994, pode se verificar uma redução no percentual que caiu de 102% para 70% durante o Plano Real, confirmando que o salário mínimo subiu mais que a cesta básica.
Em termos de jornada de trabalho a situação também é muito melhor, pois em 1994 era preciso trabalhar 225 horas de trabalho para se comprar a cesta. Como no ano passado este número caiu para 155 horas, o trabalhador precisa de 70 horas a menos para comprar a cesta básica, o que supondo um dia de 8 horas, implica em 8,75 dias de trabalho a menos.
Desde 1990, o número de horas necessárias para a compra da cesta básica só superou 200 horas em 1994 e 1995, desde então caiu cerca de 31% para o nível registrado em 2002.