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SÃO PAULO – Depois da forte elevação dos preços dos combustíveis no ano passado, os brasileiros podem ter que arcar com novos aumentos ainda neste primeiro trimestre de 2003. Pelo menos é o que sugeriu o diretor financeiro da Petrobras, Sergio Gabrilli, em uma conferência com analistas do setor nesta quinta-feira (20/02).
Segundo afirmações do próprio diretor, a empresa pretende efetuar alterações nos preços dos derivados de petróleo o mais rápido possível, uma vez que os preços no mercado interno estariam excessivamente defasados em relação aos preços no mercado internacional.
Formas distintas de cálculo
O comentário de Gabrielli surpreende por vir pouco menos de uma semana depois do próprio presidente da companhia, Eduardo Dutra, ter feito uma afirmação negando a possibilidade de novos aumentos no curto prazo. Para Dutra, o cenário atual é excessivamente instável, o que dificultaria a adoção de novos aumentos, até porque a defasagem de preços no mercado interno e externo não era tão significativa.
A divergência entre os dois executivos reflete a forma com que analisam o diferencial de preços entre o mercado interno e o externo. Enquanto o presidente da Petrobrás usa como base de comparação o preço do petróleo no golfo do México sem incluir o preço de frete, uma vez que a maior parte do petróleo consumido no país é produzida internamente, o diretor financeiro da empresa inclui os custos de frente.
Como o preço do litro da gasolina no Golfo do México sem custo de frete é de US$ 0,23, a diferença com o preço interno é de apenas US$ 0,01, ou 4,3%. Contudo, ao incluirmos os custos de frete o litro de gasolina no golfo sobe para US% 0,2515, elevando a diferença de preços para cerca de 12,5%.
CBIE defende aumento imediato
Na opinião de um dos analistas do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), mais importante do que discutir quem está certo é adotar um padrão uniforme na definição dos preços dos combustíveis, usando o mesmo critério para todos eles.
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Por exemplo, no caso de combustíveis como o gás liquefeito de petróleo (GLP) a Petrobras deve decidir se irá aplicar o custo de frete somente na parcela importada ou em todo o volume vendido no país.
O CBIE defende que os preços no mercado nacional sejam ajustados o mais rápido possível, pois diante do risco iminente de guerra os preços internacionais podem disparar e aí o impacto na inflação de um reajuste único seria muito mais significativo. Aos motoristas resta apenas a esperança de que a guerra não se confirme e o preço dos combustíveis não tenha que ser ajustado novamente, com efeitos perversos sobre o orçamento familiar.