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SÂO PAULO – Diante da desaceleração da inflação nos últimos dois meses, os analistas econômicos se dividem entre os que defendem um corte na taxa básica de juros da economia na reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom) e os que acreditam que ainda seja cedo para cortar os juros, pois ainda existe uma inflação reprimida.
Por inflação reprimida entenda-se produtores e varejistas que até teriam aumentado o preço dos produtos antes, mas não encontravam condições de mercado para fazerem isto e que, se os juros caírem podem acabar promovendo novos aumentos nos preços.
Queda dos juros pode alimentar inflação
Reforçando o coro dos mais pessimistas, a Fecomércio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) divulgou nesta segunda-feira um estudo em que afirma que os preços de vários bens vendidos no varejo possam ser reajustados caso o Copom opte pela redução da taxa básica de juros da economia.
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Segundo a Fecomércio-SP, no setor varejista somente os supermercados e as revendas de autopeças conseguiram repor integralmente as margens perdidas nos primeiros quatro meses deste ano. Em contrapartida, nos demais segmentos a Federação acredita que exista uma inflação reprimida, ou seja, que a intenção de reajustar os preços não deixou de existir, mas foi apenas adiada.
O diretor-executivo da Fecomércio, Antonio Carlos Borges, é bastante enfático em sua preocupação. Para Borges, uma redução nos juros abriria espaço para que os preços de utilidades domésticas, móveis, vestuário, veículos e materiais de construção sofressem novos aumentos. Como lembra o executivo estes são os segmentos do varejo mais sensíveis ao crédito, e uma redução nos juros poderia impulsionar a busca por crediários facilitando o aumento dos preços.
Supermercados e revendedores de autopeças foram exceção
O estudo também analisou o desempenho das vendas físicas dos vários segmentos do comércio varejista e constatou que no acumulado dos primeiros quatro meses do ano o índice de preços no varejo registrou inflação de 31,74%.
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Entretanto, dos nove segmentos analisados, somente dois registraram um aumento de preços acima do IPV e conseguiram manter o volume de vendas físicas. Este teria sido o caso dos supermercados e dos revendedores de autopeças, cujos preços subiram, respectivamente, 39,49% e 35,25%, para um aumento das vendas físicas de 1,06% e 7,02%.
Nos demais casos, o aumento acima do IPV acabou refletindo em forte queda das vendas físicas ou os preços simplesmente subiram abaixo do IPV. Este foi o caso, por exemplo, do vestuário cujo IPV subiu 36%, mas acabou refletindo em uma queda de 21% nas vendas físicas. O menor reajuste ocorrido no período aconteceu nas concessionárias, cujo IPV subiu 9,69% e ainda assim as vendas físicas caíram quase 4%.
Tanto os supermercados quanto as revendedoras de autopeças teriam se beneficiado do alto patamar dos juros, que levou o consumidor a evitar novos empréstimos para a compra de bens duráveis, e optou por gastar mais com bens de valor menor. No caso das revendedoras de autopeças, o que acontece é que sem dinheiro para trocar de carro o motorista opta por investir na manutenção ou reparo daquele que já possui.