Repasse para consumidor de queda dos combustíveis na refinaria ainda é parcial

Queda dos preços nas refinarias não foi integralmente repassada aos consumidores; setor espera nova queda de preços em breve

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SÃO PAULO – No final de abril, a Petrobras anunciou que pretendia reduzir em 6,5% o preço da gasolina nas refinarias, o que deveria baratear o preço do combustível nas bombas. Logo em seguida foi a vez da Sociedade Comercializadora de Álcool (SCA), que reúne as maiores corretoras do combustível do país, anunciar que o preço do álcool nas bombas deveria cair em cerca de 5%.

Apesar disto, os motoristas de todo o país ainda não sentiram no bolso os mesmos reajustes que foram anunciados para as refinarias, e na maioria dos casos o repasse dos cortes dos custos nas refinarias só foi passado de forma parcial aos consumidores. Pelo menos é o que sugere o último levantamento de preços da ANP (Agência Nacional de Petróleo), referente à semana de 11 a 17 de maio.

Repasse para o consumidor foi menor

Os dados da ANP sugerem que os consumidores receberam pouco mais da metade da redução de custos que beneficiou as refinarias.

Por exemplo, no caso da gasolina, enquanto o reajuste nas refinarias foi de 6,5% o preço médio do litro de gasolina caiu em média no território nacional cerca de 3,38%. Isto porque enquanto em abril o preço médio do combustível no país era de R$ 2,192, na semana passada o motorista pagava em média R$ 2,118.

Tendência semelhante foi registrada no preço médio do litro do álcool, que segundo a ANP teria caído de R$ 1,562 em abril para R$ 1,517 na semana passada. A queda representa um recuo de 2,9% do preço nas bombas, ou o equivalente a 58% do reajuste inicialmente previsto pela SCA para as bombas.

A situação é mais grave para os motoristas que utilizam diesel nos seus veículos, que por conta dos fortes aumentos dos últimos meses, estava cerca de 40% acima do preço internacional no final de abril. Apesar da Petrobras ter anunciado uma redução de 8,6% no preço do litro do diesel, desde então a queda do preço ao consumidor teria sido de cerca 4,7%.

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Ou seja, os motoristas se beneficiaram de apenas 55% da redução dos preços anunciada pela estatal. No último levantamento da ANP o preço do litro do diesel estava em R$ 1,457 frente aos R$ 1,529 de antes do anúncio da Petrobras.

Setor espera novos cortes

Em sua defesa os revendedores de gasolina alegam que para que a projeção de queda de 5% do preço da gasolina nas bombas fosse confirmada seria necessária uma queda mais acentuada do álcool assim como uma redução nas alíquotas de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

Apesar da Petrobras não ter confirmado nenhuma nova redução nos preços dos combustíveis, executivos do setor apostam em um novo corte em junho diante da possibilidade de aumento do percentual de álcool na gasolina e da revisão das tabelas de cobrança do ICMS pelos estados.