Com queda de margens, analistas classificam balanço da Rossi como fraco

Por outro lado, profissionais elogiam o forte crescimento de lançamentos e vendas da incorporadora no 2º trimestre

Publicidade

SÃO PAULO – Os analistas da Fator, do BB Investimentos e da Ativa classificam os resultados do segundo trimestre da Rossi (RSID3) como fraco, citando o crescimento menor do que o esperado na receita reconhecida e a queda de margens associada a maiores despesas comerciais e administrativas.

A margem Ebitda de 20,9%, representa recuo de 3,6 p.p. na comparação com o segundo trimestre de 2010. “A perda de margem decorreu da mudança de mix, dado que em segmentos mais altos as despesas comerciais também são superiores”, comentou o analista Armando Halfed, em relatório.

Ao mesmo tempo, a margem bruta foi de 31% de janeiro a junho, 2,2 p.p. menor ao reportado no calendário anterior. Para os analistas Iago Whately e René Brandt, do Fator, essa redução era esperada, “em função de maior parcela de projetos de baixa renda no mix de receita reconhecida, além de maior reconhecimento de juros capitalizados”.

Continua depois da publicidade

Na avaliação do BB Investimentos, a margem líquida de 11,3% foi a mais impactada, e teve diminuição de 5,5 p.p. no confronto com o ano passado. “Acreditamos que esse decréscimo seja uma tendência que persista nos próximos resultados, ainda que ações para a melhora da eficiência sejam adotadas nos canteiros da empresa”, disse o analista Wesley Pereira Bernabé, em relatório. 

Pontos positivos
Por outro lado, a Ativa e o BBInvestimentos destacam o forte crescimento de lançamentos e vendas da incorporadora no período. Bernabé afirma que, apesar da pressão de margens sobre o desempenho financeiro, enxerga os resultados apresentados pela Rossi no trimestre de forma positiva, “em função do forte desempenho operacional e pela evolução consistente no volume de lançamentos e vendas com manutenção da velocidade de vendas (VSO)”.

A Rossi atingiu 46% do ponto médio do guidance de lançamentos para este ano, com um VGV lançado de R$ 1,309 bilhão, crescimento anual de 72%, enquanto as vendas contratadas atingiram R$ 896 milhões, aumento de 26,2% na mesma comparação. Assim, o indicador VSO, ficou no patamar de 25%, se mantendo estável frente ao primeiro trimestre do ano.

Continua depois da publicidade

Recomendações
Apesar do resultado marginalmente negativo, Halfeld da Ativa acredita que o case da empresa não se altera e, por isso, reitera recomendação de compra para os papéis, com preço-alvo de R$ 18,19, upside de 70,64%.

Para a equipe de análise do Fator, o resultado não modificou a visão sobre a Rossi. Eles ressaltam que a “incorporadora continua a mostrar resilência às pressões de custos, com margem bruta entre as mais consistentes do setor”. Desta forma, a instituição reafirma recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 22,00, o que representa potencial de alta de 106,38%.

Já o analista do BBInvestimentos colocou o preço-alvo da companhia em revisão, tendo em vista o cenário da construção no Brasil, que pode trazer patamares de rentabilidade abaixo dos vivenciados nos últimos anos, bem como a maior volatilidade no mercado de capitais apresentada nas últimas semanas e os receios quanto ao cenário macroeconômico.