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SÃO PAULO – Levantar bem cedo para ver o Brasil jogando na Copa talvez seja a única chance para a maioria da torcida brasileira ver sua seleção atuando no Mundial de 2002. Com o preço da passagem e da estadia nas alturas, o real desvalorizado e a delicada situação econômica enfrentada pelo país, apenas alguns privilegiados poderão ver de perto o Brasil entrar em campo. Há três meses, os pacotes para a Copa sobravam nas agências de turismo, à esperada de torcedores
abonados.
Parece mentira, mas hoje, a poucos dias antes de começar os jogos, os pacotes já estão praticamente esgotados. No entanto, o faturamento das companhias de
turismo deverá ficar bem abaixo do registrado na última Copa de 1998, realizada na França. Não é para menos. Desembolsar cerca de US$ 6 mil por pacote – preço mais barato para 11 noites na Coréia e ver os dois primeiros jogos do Brasil – ou o equivalente a R$ 15.240 não é para qualquer um. É o suficiente para uma
família quatro pessoas passar o mesmo período na Europa.
Último pacote disponível não sai por menos de R$ 30 mil
A Stella Barros, empresa que estava comercializando 8 tipos de pacotes para a Copa, afirma que o torcedor que deixou para planejar a viagem em cima da hora, terá apenas uma opção. E ainda terá que ficar na lista de espera. A última alternativa da empresa é o roteiro H, construído para que o torcedor assista aos jogos da
2.a fase, das 8.as de final até a final. Pela bagatela de US$ 8.844, o torcedor tem direito à passagem aérea, hospedagem com café da manhã, aos traslados para o
aeroporto e estádios, um guia à disposição do grupo e esse preço também inclui o seguro viagem. E detalhe: esse preço não inclui as refeições e nem os ingressos
para os jogos.
Como as partidas serão todas no Japão, com exceção da final, que poderá ser realizada na Coréia do Sul, os agentes de turismo recomendam que o torcedor leve US$ 100 por dia para comer em restaurantes de categoria intermediária. Com relação aos ingressos, o pacote com as entradas para os jogos saem por US$ 1.250, caso o
Brasil dispute o 3.o lugar, e US$ 1.775 caso a seleção consiga disputar a final. Somando todos esses gastos, o torcedor que optar por esse pacote terá que gastar
no mínimo US$ 12 mil, ou se preferir, R$ 30.500. Com esse dinheiro, é possível fazer aproximadamente 10 viagens de uma semana a Fernando de Noronha, com todas
as refeições e passeios ecológicos incluídos.
Preço da passagem é diferencial na Copa de 2002
No Mundial da França em 1998, 2.775.400 torcedores lotaram os estádios durante todo o evento, enquanto em 1994, na Copa dos EUA, 3.587.088 torcedores assistiram
aos jogos de perto, número recorde em toda a história da Copa. O menor número de torcedores ocorreu em 1934, na Copa da Itália, com apenas 361.000 pessoas. Na Copa
de 2002, se depender do tamanho dos estádios e da população local, o volume de torcedores deverá ser ainda maior. Porém, a participação de estrangeiros deverá sofrer uma forte queda devido aos custos da viagem.
A tarifa de São Paulo-Tóquio-São Paulo sai aproximadamente US$ 1.900 na classe econômica, com o bilhete comprado em agências de turismo. Já o preço da
passagem São-Paulo-Paris-São Paulo fica em torno de US$ 890, ou seja, 53,16% a menos em relação ao primeiro trecho. Pagar quase R$ 5 mil só para chegar no Japão
desestimulou muitos torcedores brasileiros fanáticos pelo futebol.
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Diferenças culturais também atrapalham
Se mesmo com o preço salgado, você não resistiu e comprou o kit torcedor para ver a Copa, alguns cuidados devem ser tomados para evitar gafes nos países do mundial. Enquanto no Japão, quem tirar a camisa durante os jogos será mal visto pela população local, na Coréia do Sul não se deve assoar o nariz em frente às pessoas. Tanto no Japão, quando na Coréia, é um gesto grosseiro falar com alguém com as mãos no bolso, ou para trás, nas costas. Portanto, tome algumas precauções quando estiver no Extremo Oriente para não fazer feio.
Com relação à alimentação, se você não gostar da comida local, fique tranqüilo, pois será fácil encontrar restaurantes internacionais, que sirvam outros menus além do sushi e do sashimi. Para evitar conflitos culturais, a Fifa sugeriu que o consumo de carne de cachorro seja suspenso na Coréia do Sul durante a Copa. Mas excêntrica culinária coreana não se restringe somente à carne de cachorro. Outras
especialidades são baratas, besouros e escorpiões fritos, além de vísceras de porco, cérebro de macaco e carne de gato. Para os mais aventureiros, que não gostam de gastar muito, pode ser uma boa opção.