Alimentos e produtos de limpeza podem sofrer reajustes entre 8% e 12%

Alta do dólar teria aumentado custo dos produtos; varejistas adiam compras para evitar repasse ao consumidor

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SÃO PAULO – Nos últimos dias o dólar voltou a disparar alcançando novas cotações recordes desde a introdução do plano Real, em agosto de 1994. Do ponto de vista do consumidor esta alta preocupa, pois como já pudemos constatar nos índices de inflação de agosto, e em algumas prévias de setembro, este aumento acaba sendo repassado para o consumidor final, que sofre cada vez mais com a perda de poder aquisitivo.

Novas tabelas sugerem reajuste entre 8% e 12%

Na maior parte dos casos os reajustes de preços praticados pelos fabricantes até se justifica, pois a alta do dólar acaba encarecendo a produção do bem. Este é o caso, por exemplo, dos produtos que dependem do trigo, como o pão, os biscoitos e massas. Da mesma forma, alguns produtos de limpeza, cuja embalagem de plástico e alguns de seus componentes seguem a variação do dólar, também estão sendo reajustados.

De acordo com informações prestadas pelos varejistas, estes dois setores estão propondo novas tabelas de preço com reajustes que variam entre 8% e 12%. Vale lembrar que a alta do dólar desde o início de setembro já alcança a impressionante marca de 25%.

Para quem gosta de uma cervejinha, a alta do dólar também deve acabar pesando no bolso, uma vez que o malte é cotado em dólar. Apesar de ainda não ter sofrido um reajuste de preço, o consumidor já está pagando mais caro pela cerveja, pois muitos varejistas já cortaram as promoções que estavam oferecendo como forma de aumentar as vendas durante o inverno.

Contudo, o setor só publicará uma nova tabela de preços em novembro, quando a proximidade do verão normalmente leva as fabricantes a reajustarem os preços. O problema é que este ano o aumento pode acabar sendo maior, para compensar as perdas de margem com a alta do dólar.

Supermercados adiam compras

A solução encontrada por alguns varejistas é a de adiar as compras, tentando protelar ao máximo o repasse para os consumidores. A iniciativa se justifica já que, diante da perda de poder aquisitivo, muitos consumidores estão optando pela compra de marcas mais baratas, ainda que desconhecidas, com um impacto negativo no faturamento dos supermercados.

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Já o diretor comercial do Pão de Açúcar, Hugo Bethlem, assumiu que as negociações entre fabricantes e varejistas estão duras, com os varejistas tentando, na medida do possível, limitar o repasse para o consumidor final. De acordo com Bethlem, uma pesquisa envolvendo 40 mil itens registrou um aumento médio de 1,7% no preço dos produtos, muito abaixo, portanto, da variação do Índice de Preços por Atacado (IPA), que já ultrapassou os 7%.

Para alguns varejistas a alta do dólar encareceu os produtos nacionais, mas abre a oportunidade para se negociar com alguns fabricantes de produtos importados, que ao aceitarem um câmbio mais baixo na negociação, podem competir com os produtos nacionais, forçando inclusive alguns produtores a rever suas tabelas de reajuste.