Reajuste quinzenal de combustíveis deve voltar após eleições

Prática foi abandonada pela Petrobras em função da volatilidade do câmbio, deve voltar após alívio das eleições

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SÃO PAULO – Em abril deste ano a Petrobras anunciou que, diante da forte alta do petróleo no mercado internacional, estaria adotando uma nova política de reajuste dos preços dos derivados do petróleo no mercado brasileiro. A nova fórmula de reajuste vigorou até o final de julho deste ano, quando foi suspensa.

Volta do reajuste quinzenal

Segundo o Ministro de Minas e Energia, Francisco Gomide, depois das eleições, a Petrobras poderá voltar a praticar a reajustes quinzenais dos combustíveis. Na opinião do ministro, com os reajustes quinzenais a empresa adotará uma política mais transparente, especialmente no que refere ao impacto da alta do dólar no preço dos combustíveis.

Além das pressões do governo, que buscava reduzir o impacto do aumento dos combustíveis na inflação, a decisão da Petrobras de suspender os reajustes quinzenais também refletiu a forte valorização do dólar frente ao real nos últimos três meses. Com o dólar próximo de R$ 4,00, devido em parte ao nervosismo com o processo eleitoral, a petrolífera encontrou dificuldade para estabelecer uma cotação justa para converter os preços internacionais em dólar para reais.

Desta forma, acabou optando por esperar pelo fim do processo eleitoral, acreditando que com isto a cotação do dólar deva recuar para patamares mais realistas, para somente então praticar qualquer tipo de reajuste dos combustíveis.

Gasolina deve subir pelo menos 5%

Na última ata do Comitê de Política Monetária, no final de setembro, foi anunciado que a gasolina deveria fechar o ano em alta de 3,30%, o que implicaria em novos reajustes antes do final do ano, já que até o final de setembro o preço do combustível, tanto para as distribuidoras quanto para os consumidores, ainda acumulava queda.

Se nos basearmos nos dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo) sobre o preço médio praticado no país para o litro de gasolina para as distribuidoras, verifica-se uma queda de 2,39% na comparação entre dezembro e setembro, com o preço médio passando de R$ 1,546 em dezembro para os atuais R$ 1,509 de setembro.

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Como era de se esperar, o repasse desta redução para o consumidor não foi integral, de forma que a queda do preço médio do litro de gasolina foi menor, de cerca de 1,75%, com o preço médio caindo de R$ 1,775 em dezembro para R$ 1,744 em setembro. Se tomarmos estes preços como base para determinar o potencial de novos reajustes, pode se estimar que o preço da gasolina pode sofrer um aumento de pelo menos 5,10% até o final do ano.

Estas previsões embutiam a expectativa do Banco Central de que o dólar recuaria depois das eleições para patamares mais realistas. Na época em que foram feitas, o dólar ainda se encontrava ao redor de R$ 3,40 e a projeção do BC era de que fechasse 2002 em R$ 2,90. Contudo, diante da cotação desta terça-feira da moeda norte-americana, de R$ 3,875, e das novas previsões de que o dólar feche o ano de 2002 cotado em R$ 3,20, o mais provável é que este reajuste seja ainda maior.

Para o consumidor, resta apenas esperar que os mercados se acalmem, tanto no Brasil quanto no exterior, onde as perspectivas de guerra entre EUA e Iraque têm pressionado a cotação do petróleo.