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SÃO PAULO – A constatação é fruto de um estudo realizado pela LatinPanel, empresa que faz parte do grupo Ibope, junto a seis mil domicílios em todo o país. Segundo o levantamento, os hábitos dos consumidores mudaram drasticamente na última década, em grande parte como resultado da queda da inflação, que em 1992 chegou a atingir a impressionante marca de 1.174% ao ano, ou 23,6% ao mês.
Possibilidade de planejar ajuda consumidor
Beneficiado pela maior estabilidade dos preços e maior facilidade de pagamento nos últimos anos, com a introdução de novos meios de pagamento, como o cartão de crédito e débito, o consumidor consegue finalmente planejar suas compras. Ao planejar consegue estipular gastos necessários e identificar áreas onde pode cortar custos, o que faz com que gaste relativamente menos. Esta melhora no poder aquisitivo é sentida principalmente nas classes C e D, segmento em que a intenção de compras também aumentou.
Se nos últimos meses estamos reclamando do aumento dos preços, vale lembrar que mesmo com o dólar nas alturas, os preços sobem menos do que 3% ao mês, em média. Desta forma, não é difícil entender o porque da mudança de hábito, se antes do Plano Real o consumidor era forçado a estocar, para tentar se proteger da inflação, agora é possível pesquisar melhor os preços, que não mudam com a mesma velocidade de antes.
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Consumidor pesquisa e troca mais
A abertura da economia experimentada nesta última década também contribuiu para a maior variedade de produtos nas prateleiras. Diante da maior oferta de produtos, os consumidores começaram a experimentar mais novos produtos, e quando satisfeitos não pensam duas vezes antes de trocar de marca, especialmente se o preço for mais atrativo.
Exatamente por isto marca não é mais tão importante e sim a combinação custo-benefício. Segundo o estudo, esta mudança de comportamento fez com que 75% das marcas líderes perdessem sua exclusividade de mercado. Quando consideramos o setor de alimentos este percentual é ainda maior, de 94%. Em outros casos o que se verifica é que o consumidor combina marcas distintas de um mesmo produto para gastar menos. Por exemplo, o sabão em pó de marca é usado para as roupas e os mais baratos para outras tarefas de limpeza.
Mais praticidade
Outra tendência registrada é a maior procura por alimentos congelados, que apesar de mais caros são mais fáceis de preparar, facilitando a vida especialmente dos solteiros. Nas classes A e B cerca de 18% das famílias consome congelados, percentual que cai para 11% na classe C e para 7% nas classes D e E.
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Esta mesma tendência justifica a maior procura pelo mercadinho da esquina, já que o consumidor às vezes prefere a comodidade de ir à pé fazer suas compras do que ter que enfrentar as enormes filas dos grandes supermercados, o que justificaria o investimento das grandes redes, como Pão de Açúcar, na compra dos chamados supermercados de bairro, que depois transformam para ficar em linha com as características da rede.