Inflação dá sinais de desaceleração, mas ainda é cedo para comemorar

Apesar do IPA ter registrado primeiro recuo em seis meses, a tendência dos preços dependerá das políticas do próximo governo

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SÃO PAULO – Se antes das eleições a maior preocupação dos brasileiros era sobre a cotação do dólar, agora a pergunta que povoa a mente da maioria é, sem dúvida, qual deve ser o comportamento da inflação no próximo ano. Apesar da inflação ser decorrência da alta do dólar, a maior parte das pessoas só entendeu esta relação quando percebeu o aumento dos preços no supermercado.

Em novembro,a inflação medida por quase todos os índices bateu recordes desde agosto de 1994, quando foi introduzido o Plano Real. Com isto, a inflação superou quase todas as aplicações naquele mês, com exceção apenas do ouro. Mas será que os preços realmente saíram do controle?

Perdendo fôlego?

O IGP-M é um dos índices de inflação mais afetados pela alta do dólar, pois é composto da variação dos preços ao atacado, que respondem por 60% do índice, dos preços ao consumidor, que respondem por 30% e finalmente pelos preços da construção, que respondem pelos 10% restantes.

Como os preços ao atacado foram os primeiros a serem pressionados, o IGP-M começou a subir antes da maioria dos demais índices de inflação, que se concentra apenas na variação dos preços ao consumidor, como o IPC da Fipe, por exemplo. Desta forma, enquanto os índices que incluem preços ao atacado começaram a subir forte em junho, os índices que se concentram nos preços ao consumidor, dispararam mesmo em agosto.

Nesta semana, a FGV divulgou a primeira prévia do IGP-M para o mês de dezembro, que apontou variação positiva de 2,61% nos preços, ficando acima da variação registrada no mesmo período em novembro, que foi de 2,31%. Contudo, pela primeira vez em seis meses, os preços ao atacado registraram uma variação menos acentuada que no mês anterior, o que pode ser o sinal de uma reversão de tendência.

Atacado dá sinais de desaceleração

Apesar dos preços terem subido mais do que no mesmo período do mês anterior, os preços ao atacado, os primeiros a subir, deram os primeiros sinais de desaceleração, subindo 2,70% nesta prévia de dezembro frente a 2,94% no mesmo período em novembro.

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Desta forma, ainda que modesta, a queda no ritmo de crescimento dos preços é bem vinda, pois decorre do menor aumento dos alimentos e matérias-primas, exatamente os itens que mais subiram nos últimos meses.

Contudo, como o economista da FGV, Salomão Quadros, afirmou que uma retração mais acentuada da variação dos preços ainda não deve ser esperada para dezembro, pois a queda no aumento dos preços ainda não chegou aos preços ao consumidor. Esta tendência, aliás, ficou clara na prévia de dezembro, quando somente os preços ao consumidor registraram um aumento maior (2,60%) do que no mesmo período do mês de novembro (2,51%).

Ainda é cedo para comemorar

Na ausência de novos choques de confiança que levem a moeda norte-americana a experimentar novas altas nos próximos meses, é provável que a inflação perca o fôlego, ainda que de forma bastante lenta e gradual, até porque no início do ano muitos contratos são reajustados o que acaba pressionado os preços, ainda que de maneira pontual.

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Uma tendência definitiva de queda dos preços só poderá ser confirmada daqui a alguns meses, quando o cenário econômico estiver mais claro, e a política do novo governo eleito sair do discurso para a prática. A adoção de medidas de rigor fiscal certamente deve contribuir para restaurar a credibilidade dos investidores, favorecendo um recuo do dólar dos patamares atuais, e abrindo espaço para uma queda da inflação. Com o dólar fechando as negociações desta terça-feira cotado em R$ 3,8050, ainda é cedo para se comemorar.