De olho em 2011, UBS traça boas perspectivas para ações e bonds de emergentes

Banco diz preferir exposição à renda variável, que deve ter desempenho melhor no ano, e destaca Brasil, China e Rússia

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SÃO PAULO – Para o UBS, a “Década Perdida” no mercado de renda variável, quando os bonds superaram de longe o desempenho das ações, deve ficar mesmo para trás. Em 2011, a renda variável deve ter uma performance melhor do que os títulos de renda fixa pelo segundo ano consecutivo, ainda que por uma margem menor do que a vista em 2009.

Na avaliação de Stephen Freedman, estrategista do banco, os valuations das ações estão moderadamente atraentes. Mesmo que longe dos 50% de upside vistos pelo banco no pico da crise, o UBS ainda afirma que as ações globais estão sendo negociadas abaixo de seu valor justo, em cerca de 6%.

Além disso, o estrategista afirma que o cenário de lucros e ciclo econômico deve ser favorável para as ações. Apesar da projeção de que o crescimento dos ganhos se desacelere no ano, a expectativa é de que haja modesta expansão na margem – o que, combinada com crescimento das receitas, gerará avanços no lucro que podem atingir dois dígitos, dependendo do mercado.

O pano de fundo formado por sentimento do mercado e timing também não deve atrapalhar o desempenho da renda variável, na visão do UBS. “A confiança dos investidores individuais vem melhorando nos últimos três meses, sugerindo uma volta aos mercado de renda variável. Isso, combinado com o QE2, deve fazer com que alguns investidores com caixa disponível procurem alternativas melhores do que bonds de baixo yield e ações pagadoras de dividendos”, escreve o estrategista. Ele nota que a confiança também parece crescer entre os investidores institucionais, ainda que de modo mais ameno.

Ações x bonds
“Esse apelo das ações fica ainda mais claro quando comparado à sua principal alternativa, os bonds”, aponta Freedman. A diferença entre os rendimentos das ações e dos títulos de renda fixa, segundo ele, está atualmente em um patamar que foi ultrapassado somente 5% do tempo nos últimos 20 anos.

“Vemos um valor muito limitado nos mercados de bonds, mas também não esperamos uma queda nos preços no curto prazo”, diz o UBS. Ainda segundo o banco, os títulos públicos podem ser pressionados caso a recuperação da economia ganhe ritmo mais rápido do que o esperado.

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Com isso, a avaliação de Freedman é que, de modo geral, os bonds não são atrativos. O UBS rebaixou a recomendação de renda fixa para um “underweight tático” em seus portfólios, enquanto elevou a recomendação das ações para um “overweight tático”.

Favoreça emergentes e os BRICs
No mercado de renda variável, o UBS mantém sua preferência para os emergentes em 2011. “Eles não estão tão baratos quanto antes, mas seu potencial de crescimento dá a eles uma vantagem sobre os desenvolvidos”, escreve o estrategista Brian Rose.

O desconto dos emergentes frente aos mercados desenvolvidos caiu em 2010, e deve desaparecer nos próximos anos – entretanto, ele ainda existe, e vem combinado com um ambiente macroeconômico bastante sólido, que deve exigir menos ajustes e permitir um crescimento maior desses países.

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O foco do UBS entre os emergentes fica com os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). “China e Brasil oferecem uma combinação atrativa de valuations razoáveis e alto crescimento, enquanto na Índia os valuations estão esticados, apesar das boas perspectivas de longo prazo”, escreve Rose.

A Rússia, segundo o banco, não deve ter um crescimento tão forte quanto os demais nos próximos anos, além de um ambiente político arriscado, mas seus baixos valuations compensam as desvantagens.

Até no caso dos mercados desenvolvidos – que devem ver os lucros avançarem moderadamente em 2011 -, a recomendação é buscar alguma opção que tenha exposição aos emergentes. “O Reino Unido parece interessante sob esse ponto de vista”, diz Rose. O restante da Zona do Euro é prejudicado pela crise fiscal que atualmente ronda o continente, que pode impactar o crescimento e os lucros das empresas caso se estenda ainda mais.

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Não é possível afirmar, contudo, que não haja mais risco nos emergentes. “A principal ameaça econômica aos emergentes é uma alta dos preços das commodities, especialmente no caso dos alimentos, o que poderia causar inflação e acelerar a necessidade de uma política monetária mais rígida”, destaca o estrategista.

Renda fixa: emergentes também em foco
Apesar de deixar clara sua preferência por ações no lugar de bonds, o banco também destaca a importância da exposição aos países emergentes no âmbito da renda fixa. “Vemos os bonds estrangeiros tão atrativos quanto os bonds norte-americanos”, explica o estrategista Brian Rose.

Segundo ele, enquanto os mercados desenvolvidos se veem em meio a problemas de déficit, o que traz volatilidade aos bonds, a maioria dos emergentes tem finanças relativamente saudáveis, além de populações mais jovens e taxas de crescimento mais altas – o que ajuda a manter os déficits orçamentários sob controle.

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“Além disso, muitos países emitem dívida denominada em dólares norte-americanos, permitindo exposição sem risco cambial”, explica o estrategista.

Entretanto, ele lembra que investir em bonds de emergentes ainda tem seus riscos, sugerindo a diversificação entre os diversos mercados. “Também vemos oportunidades nos bonds dos países produtores de commodities, como Canadá e Austrália”, pontua Rose.

O portfólio
O UBS sugere que cerca de 49% do portfólio seja composto por ações. Além de listar suas preferências por setores no mercado dos EUA, o banco reafirma sua posição em ações emergentes, dando destaque para Brasil, China, Rússia e Taiwan. Entre os desenvolvidos, a aposta fica com o Reino Unido.

Outros 32% da carteira são colocados em renda fixa. Dentro dos EUA, o foco fica com os bonds corporativos de high yield, enquanto nos mercados emergentes, a preferência é por títulos do governo denominados em dólares norte-americanos, em especial no Brasil e no México. Os títulos corporativos dos emergentes sugeridos também são denominados em dólares, com destaque para produtoras de commodities.

As commodities em si recebem uma fatia de 5% do portfólio do banco. “Vemos potencial em petróleo, ouro e algumas commodities agrícolas”, explica o UBS – que, contudo, não recomenda um posicionamento agressivo em commodities por hora. Posições em caixa de 2% e em investimento alternativos (12%) completam a carteira.

“No caso das moedas, a preferência é por divisas menores em particular nos emergentes, produtores de commodities (como dólares canadenses ou australianos) e moedas europeias como coroas norueguesas ou suecas”, aponta o banco.