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SÃO PAULO – O Ibovespa deve ainda testar os 68 mil pontos no curto prazo, avaliam os analistas consultados pela InfoMoney, mas isso não necessariamente quer dizer que o índice terá fôlego para ultrapassar esse patamar – ao menos não num período mais próximo. Após a valorização mensal de 10,80% registrada pelo Ibovespa em julho, Maurício Ceará, estrategista da Santander Corretora, acredita que uma correção seria até saudável do ponto de vista gráfico, já que o ritmo do índice até aqui foi muito forte.
Por outro lado, os fundamentos para essa alta estiveram presentes, e um dos destaques foi a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), que diminuiu a intensidade do aperto do ciclo monetário de 75 pontos-base para 50 pontos-base, agora em 10,75% ao ano. Para Kelly Trentin, analista-chefe da Spinelli, a revisão das projeções para a taxa Selic pelos agentes de mercado, com expectativa de que a taxa básica de juros irá subir menor do que a anteriormente previsto, causa sentimento positivo em relação à atividade econômica do País no segundo semestre.
“Como possivelmente a reunião de setembro pode ser a última do ano com alta da Selic, os últimos seis meses de 2010 podem ser melhores do que se esperava”, aponta Kelly, avaliando também que os resultados colaboraram para esse impulso. Hamilton Moreira Alves, estrategista do Banco do Brasil Investimentos, também acredita que os balanços foram importantes, não só no cenário interno, mas no externo também.
Fluxo estrangeiro
Nos Estados Unidos, as companhias apresentaram (de maneira geral) números além das estimativas, e com isso o investidor estrangeiro trouxe fluxo de capital para o Brasil. O estrategista do Santander, por sua vez, lembra que consumo e varejo apresentaram forte alta, “com motivo”, porque os resultados justificaram a boa performance.
Para o futuro, no entanto, as certezas são menores. Ceará acredita que o que vai definir se haverá um movimento de realização ou se o Ibovespa irá continuar andando são dados econômicos chineses, mesmo destaque feito pela estrategista do BB. No entanto, ainda que indicadores decepcionem, a realização não dever ser tão forte – para patamar próximo aos 64 mil ou 65 mil pontos -. apontam Alves e Ceará.
Kelly Trentin sugere cautela no curtíssimo prazo, mas acredita que o Ibovespa pode apresentar valorização em agosto, ainda que não na mesma magnitude que em julho. O estrategista do Banco do Brasil tem visão um pouco mais contida, avaliando que a bolsa está esticada e que será preciso um impulso para que o índice possa avançar.
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Último trimestre positivo
No entanto, sua visão não é pessimista, mas apenas cautelosa, como mostra sua estimativa de que o último trimestre será muito positivo para a bolsa, seja em função da definição da capitalização da Petrobras (PETR3, PETR4), seja porque o investidor deverá precificar um avanço de cerca de 5% no PIB (Produto Interno Bruto) do País em 2011, ajudado pela taxa Selic em patamares menos elevados do que era a estimativa inicial. Assim, Alves vê a bolsa brasileira em 80 mil pontos ao final de 2010.
Maurício Ceará, da Santander Corretora, lembra que o setor de construção ainda não passou por revisão de guidances, o que pode contribuir com mais uma “pernada” de alta. E, mesmo com a valorização recente das varejistas, com a Lojas Renner (LREN3) puxando o movimento após excelente resultado no segundo trimestre, o estrategista também não observa investidores abandonando os setores expostos ao crescimento doméstico.
Por isso, ele faz um alerta, lembrando que o Ibovespa, por causa do peso das siderúrgicas, mineradoras e petrolíferas, não reflete o quanto alguns setores estão caminhando. “A economia doméstica está aquecida e, para quem carrega posição, vale olhar para empresas um pouco menores, que estão entregando resultado”, concluiu o estrategista.