JPMorgan: cautela com commodities sustenta visão neutra para o Brasil

Banco segue positivo com mercados da AL, de olho em valuations e resultados; aperto monetário e eleições são drivers

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SÃO PAULO – Apoiando-se em “razoáveis valuations e resultados melhores”, o JPMorgan Chase continua positivo em relação aos mercados na América Latina. Em relatório recente, o banco norte-americano destaca que, apesar de o cenário global estar cada vez mais desafiador, a recuperação macroeconômica deve continuar e não será atingida pelo atual contágio da crise fiscal de países europeus.

De acordo com os analistas Ben Laidler, Emy Shayo Cherman, Brian Chase e Vinay Joseph, os resultados corporativos deverão seguir apresentando melhora ao longo deste e dos próximos anos. Eles destacam que, desde à temporada de resultados do segundo trimestre do ano passado, as empresas já registram ganhos em torno de 51% maiores, “em linha com as recuperações de crises anteriores”.

Minério influencia expectativa para Brasil
Enquanto o banco possui uma visão positiva para a América Latina como um todo, o olhar individual para o Brasil, contudo, se mantém neutro. Acontece que os analistas se mostram preocupados em relação aos setores ligados às commodities.

“O investimento chinês sofreu uma redução de ritmo, e o rebalanceamento do crescimento é uma ameaça no curto prazo para os preços locais do minério de ferro e aço. (…) O setor também está vulnerável à aversão ao risco na Europa, bem como às realocações da capitalização da Petrobras (PETR3, PETR4)”, argumentaram os analistas.

Setor financeiro anima
O JPMorgan destacou que possui um visão positiva para o setor financeiro do Brasil, destacando a BM&F Bovespa (BVMF3), Bradesco (BBDC4) e Santander BR (SANB11). Os analistas estão overweight (esperando um desempenho acima da média do mercado) para estas companhias, apoiados em razoáveis valuations, robusto volume de crescimento, bem como o beneficio trazido pelo ciclo de aperto monetário.

“A BM&F Bovespa se beneficia das fortes tendências cíclicas e seculares de volume, assim como de um valuation relativamente mais atrativo e da intermediação maior dos mercados de capitais”, destacaram os analistas.

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 Além destas três empresas, a equipe do JP Morgan também possui rating overweight para Pão de Açúcar (PCAR5), Gafisa (GFSA3), OGX Petróleo (OGXP3), PDG Realty (PDGR3) e para os ADRs da Vale (VALE5). Já os ativos da Petrobras contam com recomendação neutra. Ainda no “portfólio modelo” do banco norte-americano para o País, que “expressa a visão estratégica do JP nos mercados de ações locais”, está a ação da controladora da Nextel, a NII Holdings, listada na bolsa de Nova York.  

Ciclo de aperto monetário
Recentemente o Banco Central voltou a elevar a taxa básica de juros da economia brasileira em 75 pontos-base, levando a Selic para 10,25% ao ano.  Em abril, quando deu início à elevação da taxa de juros brasileira, o comitê também decidiu por uma alta da mesma magnitude. Para o JPMorgan, “o risco de que os juros deverão ter que aumentar mais que o antecipado pelos economistas está se dissipando rapidamente, uma vez que as expectativas para a inflação parecem ter chegado ao seu patamar mais elevado e agora caem”.

O banco mencionou que as últimas projeções oficiais para a inflação caíram de 5,70% para 5,61% em 2010. “Embora a mudança seja pequena, é a tendência que importa, em nossa concepção, e esta parece estar se consolidando”, completaram os analistas, que mencionam ainda a permanência da expectativa de 4,80% de alta nos preços em 2011, projeção que “não deve ser alterada no curto prazo”.

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Ainda sobre as taxas de juros, a equipe do JPMorgan revelou que após as duas elevações consecutivas de 75 pontos-base na Selic, efetuadas pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), 40% do aperto total na política monetária do País previsto pelos analistas do JP já foi atingido, o que “abaixou significativamente o risco de complacência”. Neste sentido, os analistas justificam que “quanto mais rápido a taxa de juros subir e o ciclo de aperto monetário se completar, melhor é para o mercado brasileiro de ações”.

Eleições também em foco
Citando as eleições como um evento que também deve ser repercutido pelo mercado, o JP reconheceu que “a candidata Dilma Rousseff (PT) está um pouco a frente na corrida pela presidência (em relação ao José Serra, do PSDB)”. Para tanto, o banco cita dois motivos: primeiro, Dilma é a candidata do atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; segundo, a candidata petista possui cerca de 40% mais tempo em propaganda eleitoral na TV do que o candidato tucano.

“As eleições presidenciais são apenas em outubro e a maioria dos brasileiros diz que a corrida pela presidência apenas começará depois da Copa do Mundo. Mesmo assim, ao longo das últimas semanas os investidores ficaram mais atentos às propostas políticas de cada candidato, suportando a ideia de que a conduta básica da política macroeconômica não deverá mudar muito, não importando quem seja eleito”, avaliaram os analistas do JP Morgan.