Ibovespa recua 0,65% e interrompe maior sequência de altas da década

Correção dos bancos e reviravolta das ações da Vale ofuscam otimismo do mercado internacional

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SÃO PAULO – Depois de subir por 11 pregões consecutivos, o Ibovespa interrompeu a maior sequência de altas da década nesta terça-feira (9) e encerrou em baixa de 0,65%, aos 78.863 pontos e volume financeiro de R$ 9,23 bilhões, pressionado pelas ações dos bancos e a reviravolta dos papéis da Vale (VALE3), que fecharam em baixa mesmo com a forte alta do minério de ferro na China. 

Por sua vez, o dólar comercial encerrou o dia com leve alta de 0,30%, cotado a R$ 3,25 na venda, recuperando-se da queda de 3% na última semana, enquanto o CDS (Credit Default Swaps) de 5 anos, um dos mais importantes índices de risco do mercado financeiro, segue com sua trajetória de queda e acumulou a 13ª queda consecutiva, atingindo 146 pontos e encerrando no menor patamar desde setembro de 2014, maior sequência de baixa desde agosto de 2004.

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Apesar do recuo do Ibovespa, o movimento está longe de ser uma reversão de tendência, mas apenas uma correção natural depois de disparar 6.400 pontos desde 20 de dezembro. Em termos gráficos, uma queda até 76.400 pontos não deve assustar o investidor, já que ainda conservará sua tendência de alta no curto prazo, de olho no teste de 79.600 – objetivo do gráfico semanal.

Ao contrário da bolsa brasileira, os principais índices de ações norte-americanos renovaram máxima e marcaram a sexta alta consecutiva, com os investidores otimistas com a recuperação da economia norte-americana e acompanhando a valorização do petróleo, que sobe cerca de 2% em Nova York à espera pela quarta queda consecutiva dos estoques da commodity nos EUA na última semana, dado que será publicado na próxima quarta-feira (10) às 13h30 (horário de Brasília). O Dow Jones subiu 0,44%, enquanto S&P 500 e Nasdaq registraram alta de 0,13% e 0,09%, respectivamente.

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Destaques de mercado

Na ponta positiva, destaque para as ações da Fibria (FIBR3), que subiram acompanhando a recuperação do dólar, assim como para os papéis da Kroton (KROT3), que reagiram ao teste de um importante suporte de curto prazo e ofereceram uma recomendação de compra neste pregão (veja mais aqui).

Do lado negativo, as ações da Eletrobras (ELET3; ELET6) recuaram forte após notícia do Valor apontando que a estatal está enfrentando obstáculos para a venda de suas distribuidoras. Fora do índice, as atenções ficaram para os papéis da Gafisa (GFSA3), que recuaram 10% com a venda dos direitos de subscrição antes do aumento de capital (veja mais aqui).

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa foram:

 C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
 ELET6 ELETROBRAS PNB 20,40 -4,23 -10,13 24,35M  
 ELET3 ELETROBRAS ON 17,65 -3,97 -8,74 55,15M  
 JBSS3 JBS ON 9,66 -3,40 -1,53 90,08M  
 RAIL3 RUMO S.A. ON 12,35 -3,21 -4,78 82,76M  
 FLRY3 FLEURY ON EJ 27,26 -2,89 -7,53 43,14M  

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa foram:

 C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
 CSNA3 SID NACIONALON 10,22 +2,71 +21,96 148,78M  
 WEGE3 WEG ON 25,10 +1,62 +4,11 57,50M  
 FIBR3 FIBRIA ON 49,77 +1,57 +4,01 119,22M  
 VIVT4 TELEF BRASILPN EJ 50,66 +1,30 +4,20 108,95M  
 ENBR3 ENERGIAS BR ON EJ 13,85 +1,24 -1,07 15,82M  

As ações mais negociadas dentre as que compõem o Ibovespa foram :

 C?digo Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE3 VALE ON 43,07 -0,37 692,64M 585,44M 28.768 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 44,59 -1,09 637,62M 549,44M 25.518 
 PETR4 PETROBRAS PN 17,03 0,00 598,57M 495,44M 36.870 
 GGBR4 GERDAU PN 14,03 +0,57 499,70M 118,77M 28.262 
 KROT3 KROTON ON 18,10 +1,23 299,08M 126,34M 22.426 
 ITSA4 ITAUSA PN 11,20 -1,58 254,11M 149,35M 21.367 
 BVMF3 B3 ON 23,56 -1,42 199,47M 183,86M 19.371 
 USIM5 USIMINAS PNA 10,25 +1,08 199,40M 127,44M 16.527 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 35,17 -0,93 196,39M 278,89M 18.839 
 BBAS3 BRASIL ON 33,43 -0,95 189,95M 217,21M 13.297 

* – Lote de mil a??es
1 – Em reais (K – Mil | M – Milh?o | B – Bilh?o)

Cenário político agitado

Em meio à indefinição acerca do candidato que representará a centro-direita e a agenda de reformas do atual governo nas eleições presidenciais que se aproximam, o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), intensificou articulações para viabilizar seu nome para o pleito. Conforme noticiam diferentes veículos da imprensa, o parlamentar já selou acordo com dois partidos da base do governo de Michel Temer: o PP, do senador Ciro Nogueira (PI), e o Solidariedade, do deputado Paulinho da Força (SP).

Segundo a Folha de S. Paulo, a estratégia seria buscar as siglas aliadas ao Planalto, principalmente as do centrão, e encurralar uma possível candidatura do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. O jornal informa ainda que, paralelo a isso, Maia tenta traçar uma agenda de viagens pelo país. O movimento do parlamentar ocorre em um momento em que Geraldo Alckmin tenta se firmar como candidato tucano à sucessão de Temer e como nome responsável pela aglutinação do centro na disputa, o que evitaria o risco de um segundo turno protagonizado por uma possível polarização Lula-Bolsonaro.

Enquanto isso, a ida de Luciano Huck ao Domingão do Faustão segue repercutindo. Apesar de negar sua candidatura, reacendeu um debate de que “segue no jogo” para ser o nome do mercado para disputar a presidência. Conforme aponta a Coluna Painel, da Folha de S. Paulo, a aparição de Huck no programa voltou a empolgar setores do empresariado que já tinham desistido de sua candidatura. De olho nesses movimentos, o PT acionou a Justiça Eleitoral contra Huck, Faustão e a Rede Globo pedindo a investigação de suposto crime eleitoral por abuso dos meios de comunicação e de poder econômico.

Adiamento da “regra de ouro” 

Em destaque nos jornais, está o noticiário sobre o adiamento das discussões sobre a mudança na “regra de ouro”, em decisão tomada por Temer após reunião com Henrique Meirelles e Dyogo Oliveira; a proposta foi criticada por sinalizar afrouxamento das contas públicas. Temer quis evitar desentendimento entre Meirelles e Rodrigo Maia, que poderia prejudicar a reforma da Previdência. Contudo, o governo ainda não desistiu de mudar a regra e proposta pode ser feita em meados do ano.

De qualquer forma, segundo aponta Sergio Vale, economista da MB Associados, será inevitável colocar regra de ouro em discussão: “a ideia da entrevista dada na tarde de segunda-feira pelos ministros Meirelles e Dyogo Oliveira deve ter sido a de ser transparente sobre as opções existentes, mas também um recado para o Congresso que se recusa aprovar a reforma da Previdência”, aponta.