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SÃO PAULO – Em seu relatório setorial com perspectivas para o mês de fevereiro, o BB Investimentos sugere otimismo para o setor de papel e celulose, preços estáveis para a siderurgia e bom momento para negociação do preço do minério de ferro. A seguir, é possível conferir as previsões feitas pelo banco para cada segmento, a começar pela Bolsa de Valores, que ainda deve sofrer com a instabilidade ocasionada pela cenário internacional.
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Bolsa de Valores
Após um bom começo de ano e entrada expressiva de capital externo no Ibovespa (R$ 847 milhões nos primeiros treze dias do ano), o índice fechou janeiro com baixa de 4,65% e retirada muito mais volumosa de dinheiro por investidores internacionais – em janeiro, o montante somou R$ 2,1 bilhões.
Para o BB Investimentos, a previsão é que a Bolsa de Valores depende da retomada do otimismo no cenário externo para se recuperar, já que o banco acredita que o índice já precificou os fundamentos positivos para o cenário macroeconômico doméstico.
Entre as preocupações citadas pelo banco, estão o mercado de trabalho fraco e o crescente déficit norte-americano, além do temor de que mais medidas por parte do governo chinês, após indicações de início de aperto monetário, possam travar o crescimento mundial.
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Agronegócio
Para o curto prazo, o BB Investimentos vê possíveis consolidações no setor como peça-chave para o movimento dos mercados. O primeiro mês do ano foi positivo para os ativos relacionados ao agronegócio negociados na Bolsa, embalados pela performance das vendas no mercado doméstico, afirma o banco.
Para 2010 a perspectiva é de recuperação do mercado externo. Segundo a instituição, “as empresas de alimentos também deverão se beneficiar de custos menores diante da expectativa de preços mais baixos de commodities em função das super safras”.
Outra boa notícia para o setor é a autorização pelo CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) de operação conjuntas entre BR Foods (BRFS3) e Sadia, o que, para o BB, sinaliza o início da recuperação de sinergias nessas operações.
Bancos
De acordo com o relatório do banco, o setor teve um mês ruim no Ibovespa por uma série de fatores que atuaram em conjunto: provável regulação dos bancos norte-americanos, taxação das grandes instituições norte-americanas, política de aperto monetário na China e alguns resultados trimestrais desfavoráveis nos EUA.
Para o BB Investimentos, é provável que as ações do setor bancário recuperem o valor perdido em janeiro, mas a instituição só aposta em apreciação forte a partir do segundo trimestre.
Isso porque o setor depende da retomada do nível de atividade e de recuperação do emprego e renda para expandir o crédito, aponta o Banco do Brasil. Entre as possibilidades apontadas para a substituição do crédito pessoal, estão o crédito imobiliário, que apresenta demanda crescente, e operações com pessoas jurídicas, aproveitando o crescimento de pequenas e médias empresas, afirma o banco.
Bens de capital
O recuo da produção industrial geral em novembro mostra que a recuperação da atividade econômica continuará lenta e gradual, afirma o BB Investimentos. Ainda assim, o mês foi bom para o setor de bens de capital, após pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrar avanço de 6,1% em relação ao mês de outubro.
Destaque especial para ativos da Indústria Romi (ROMI3), que encerram janeiro com alta de 20,2%, com expectativas positivas para o resultado do quarto trimestre. Para a Marcopolo, a expectativa é que o balanço traga continuidade da elevação na produção, diz o banco.
O setor, essencialmente composto por empresas exportadoras, terá problemas com o mercado externo fraco, mas estímulos governamentais devem fazer efeito e afetar positivamente indústria de bens de capital, avalia o Banco do Brasil. Em conjunto, a previsão é que os mercados emergentes continuem a expandir-se mais rápido que os países desenvolvidos.
A demanda por veículos pesados deve beneficiar Randon e Iochpe-Maxion, enquanto os resultados da Weg, que contratou 600 novos trabalhadores, prometem crescimento de produtividade.
Construção civil
Em janeiro, as ações do setor foram afetadas por um movimento de realização de lucros obtidos nos últimos meses, com pequena correção de valores após ativos de incorporadoras apresentarem valorização expressiva em 2009, avalia o BB.
Para o curto prazo, a construção civil ainda deve sofrer com a instabilidade dos mercados internacionais, já que há elevadas participações de capital externo no setor.
No entanto, o banco acredita que as perspectivas para o setor são positivas, com previsão de demanda por crédito evoluindo em ritmo acentuado. O alerta que a instituição faz é a necessidade de diversificação das fontes de financiamento ao setor, pois recursos da poupança serão suficientes para apenas mais quatro ou cinco anos.
“O cenário esperado para os próximos anos é de aumento dos novos lançamentos e continuidade do bom ritmo de vendas que vem sendo verificado nos últimos meses”, informa o relatório setorial.
Logística e transportes
O mercado interno também é fator essencial para o desempenho desse setor. Com vendas de veículos de passeio em alta e fortalecimento do poder aquisitivo da população, o setor foi uma boa aposta no momento de crise, avalia o Banco do Brasil.
No entanto, a perda de eficiência operacional com bloqueios e inundações preocupa, principalmente após a prévia de resultados da ALL (ALLL11), impactada negativamente pelas condições climáticas adversas.
Ainda assim, o BB Investimentos espera ligeira alta nos carregamentos rodoviários e ferroviários de produtos industriais. Para o transporte de commodities, o período de entressafras deve trazer redução.
Quando às companhias aéreas, os primeiros meses do ano tendem a ser positivos, e será um momento interessante para observar o impacto da alta das tarifas na demanda. Ainda assim, o banco sugere atenção “a possíveis movimentos de realização incentivados pela boa performance acionária para o setor no final de 2009”.
Mineração
A valorização do preço do minério de ferro no mercado spot chinês foi essencial para a alta dos ativos relacionados à mineração, como Vale (VALE3, VALE5) e MMX (MMXM3) até meados de janeiro.
A partir daí, o temor de que o governo chinês irá aplicar medidas para contenção do crescimento do país assustou investidores, que agiram com mais cautela.
No entanto, o relatório setorial do BB Investimentos aponta que a demanda está mais aquecida do que antes da crise financeira mundial, e a situação melhora o ambiente para negociações do preço do minério de ferro em 2010. Assim, o banco descarta piora do cenário para curto prazo, “principalmente para o próximo mês”.
Papel e Celulose
Para o setor de papel e celulose, o relatório setorial começa enfático: “Otimismo!”. A demanda da fibra pela China trouxe recuperação forte para o setor no segundo semestre, com expansão de 6% na produção brasileira de celulose.
O grande vilão, segundo o BB Investimentos, ainda é o câmbio, que afeta empresas com perfil mais exportador, de modo que a pequena apreciação do dólar frente ao real nas últimas semanas traz expectativa positiva para o setor, afirma o banco.
E, apesar das quedas registradas no último mês (decorrente de realização de lucros, segundo o Banco do Brasil), o cenário é otimista, com relação entre oferta e demanda de produtos do setor apertada e retomada do mercado norte-americano e europeu.
O relatório destaca o fato da China ter passado a Europa como principal comprador da celulose brasileira. “Certamente o país será o protagonista dos próximos anos para os produtores de celulose”, conclui a instituição.
Petróleo e gás
Entre os principais destaques para o setor em janeiro, o Banco do Brasil aponta o aumento das reservas provadas de petróleo no país pela Petrobras (PETR3, PETR4), duas novas descobertas de hidrocarbonetos pela OGX e a recuperação das vendas de gás-natural não-térmico pela COMGÁS.
A Petrobras, que ainda assim teve desempenho pior do que o Ibovespa, é afetada por preços internacionais e, principalmente, por incertezas geradas pela capitalização da estatal pela União, aponta o BB Investimentos. E, em fevereiro, a pressão nesse sentido continuará, aposta. No entanto, o banco destaca o gap entre a valorização do índice (74%) e das ações da companhia (de 43% a 55%) desde janeiro do último ano.
Petroquímico
A Nova Braskem é a grande notícia do setor, com a consequente reestruturação da petroquímica nacional após a venda da parte da Unipar na Quattor para Petrobras e Braskem. E a conclusão do processo de aquisição deve ser o principal driver para o setor, segundo avaliação do BB Investimentos.
No entanto, apesar da reversão das expectativas de extensão da crise, a entrada de novas capacidades industriais, principalmente na China e no Oriente Médio, devem manter o atual ciclo de baixa para o setor até, pelo menos, 2010, prevê o banco.
Saneamento
O setor de saneamento também é afetado pelo volume de chuvas visto neste começo de ano, principalmente no sul e no sudeste. Assim, o desempenho do primeiro trimestre, que costuma ser o segundo mais forte do ano, deve ser impactado negativamente, avalia o relatório setorial.
Além disso, fevereiro é afetado pelo efeito calendário – ou seja, número reduzido de dias, que impacta em menor volume faturado. Ainda assim, o Banco do Brasil espera retorno de investidores aos papéis do setor, que tiveram queda em janeiro, apesar de seu caráter defensivo.
Serviços financeiros
Para o setor, questões regulatórias e aumento da concorrência devem continuar impactando a performance das ações do setor durante o ano, aponta o Banco do Brasil. Ainda assim, fevereiro deve ser positivo, com divulgação de resultados e expectativa de retomada, após desvalorização vista no mês anterior.
Na disputa entre Cielo e Redecard, o banco acredita que o equilíbrio de forças entre as duas competidoras não deve ser significativamente alterado, além das duas empresas terem enormes vantagens competitivas em relação a novos players, destaca o Banco do Brasil.
Siderurgia
A retomada das atividades leva retirada de descontos concedidos a determinados clientes durante o período de crise, e a tendência é que aos pouco aconteça uma lenta recuperação dos preços no mercado interno.
No entanto, os valores aqui são negociados com certo atraso em relação ao mercado internacional, e lá os preços ainda não mostraram sinais fortes de recuperação, indica o relatório setorial do BB Investimentos.
A expectativa é que o ajuste só aconteça após a finalização da negociação de valores para o minério de ferro, afirma o banco. Ainda deve mexer com o setor a retirada do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado), que deverá conter parte da recuperação operacional esperada para este ano, aponta a instituição.
Sucroalcooleiro
A baixa oferta de açúcar mantém a tendência de alta dos preços futuros da commodity tanto no mercado físico brasileiro quanto nas bolsas internacionais. Já o etanol também apresenta valorização, o que o torna menos competitivo em relação à gasolina, já que produtores estão desviando a produção para o açúcar, mais rentável, explica relatório do Banco do Brasil.
No entanto, o banco não acredita que essa relação deva perdurar, e as cotações do etanol em relação à gasolina tendem a se normalizar, já que a probabilidade da oferta permanecer nos atuais níveis por muito tempo é pequena, exceto por eventual catástrofe climática, aponta o relatório.
Para fevereiro, a expectativa é que o cenário continue positivo e que a Cosan (CSAN3) sofra correção em relação à desvalorização sofrida após inclusão de seu nome na Lista Suja do governo – fato já contornado através de liminar.
Telecom
Com a oferta de aquisição de Telmex e Telmex Internacional pela América Móvil, do empresário mexicano Carlos Slim, é provável que Embratel e Claro unam-se no Brasil também, formando um grupo coeso, segundo avaliação do BB Investimentos, e eliminando a grande desvantagem que a Claro tinha em relação à OI, segundo ponto de vista do banco.
Agora, rumores dão conta de uma possível aquisição da Telecom Itália (controladora da TIM) pela Telefônica (controladora, em uma joint venture com a Portugal Telecom, da Vivo). No entanto, para fevereiro, o banco não acredita em novidades para o setor.
Varejos e serviços
Entre as perspectivas para o segmento varejista, estão bons resultados a serem divulgados ao longo do mês de fevereiro. Ainda neste mês, o BB Investimentos cita performance acima da média dos produtos de supermercados, por conta do Carnaval, e também de aumento de gastos com vestuário.
Para produtos com menor valor agregado, a previsão é de menor demanda, mas possíveis liquidações para queimar estoques ainda com desconto no IPI podem reverter essa situação.
“Acreditamos que as vendas no comércio varejista brasileiro apresentem um bom crescimento no comparativo anual, em virtude da recuperação da economia doméstica e da trajetória crescente no indicador de confiança dos consumidores”, conclui o relatório setorial do BB Investimentos.