A (des)confiança da construção civil: mais uma queda em outubro

A despeito das enormes carências do país na área habitacional e de infraestrutura, o principal fator que tem que limitado o crescimento das empresas do setor é a demanda insuficiente

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Colunista convidada: Ana Maria Castelo, pesquisadora da FGV/IBRE

Em outubro, o índice de confiança das empresas da construção (ICST) caiu 3,9% na comparação com o mês anterior. Na comparação 12 meses, a redução já chega a 34% e o indicador bateu novo recorde negativo, ou seja, alcançou o pior resultado da série histórica.

Vale notar que essa série não é muito longa: a sondagem da construção da FGV/IBRE, realizada com mais de 700 empresas de todo país, é relativamente jovem: começou em julho de 2010, portanto, no período de forte crescimento setorial, quando, de acordo com a Pesquisa Anual da Indústria da Construção realizada pelo IBGE, o PIB das empresas registrou alta real de 15%, depois de ter crescido 18% em 2009.

Sendo assim, a série do índice de confiança não tem base para comparação com outros períodos de crise. Por outro lado, também é compreensível que a atividade não conseguisse se sustentar naquele mesmo ritmo de crescimento. Em 2010, as empresas elegeram a falta de mão obra qualificada como sua maior dificuldade para continuar crescendo.

Desde então, a atividade setorial passou a crescer menos e a média anual do ICST veio se reduzindo cerca de 6% a cada ano até 2013. De 2013 para 2014, a queda alcançou quase 11% e de 2014 para outubro de 2015, a média do ICST caiu 29%, alcançando no último mês, o patamar de 63,2, em uma escala que vai de zero a duzentos.

Assim, a nova queda na confiança setorial não surpreende e, menos ainda que, como tem sido recorrente nos últimos meses, tenha sido a percepção em relação à situação corrente, ou seja, o índice de situação atual (ISA) que mais contribuiu para o resultado do mês. Na comparação com outubro de 2014, a queda do ISA atingiu 48%, sendo que apenas nos dois últimos meses foi superior a 18%.Ou seja, a percepção das empresas em relação aos negócios e à atividade corrente está se deteriorando há algum tempo, mas o ritmo aumentou expressivamente nos últimos meses. O índice alcançou 45,3 em outubro.

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O Caged de setembro mostrou que as empresas demitiram cerca de 28 mil trabalhadores, e em 12 meses as demissões atingiram 427 mil trabalhadores. Como a atividade continua em queda, o processo de demissão deve prosseguir. Segundo a sondagem de outubro, 47,5% dos empresários apontaram intenção de demitir nos próximos três meses, enquanto apenas 8,6% vão contratar.

As expectativas também continuam se deteriorando, ainda que em ritmo menor: em outubro a queda foi de 1,5% em relação a setembro. Em 12 meses, o Índice de Expectativas (IE) registra redução de 22%.

O pessimismo em relação à demanda prevista nos próximos três meses e ao volume de negócios nos próximos seis meses representa uma percepção do empresário de que de que não há fatores à vista que possam promover uma reversão do cenário de contração da atividade.

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De fato, como o cenário econômico continua a deteriorar, não se vislumbra nenhuma força capaz de dar alento ao setor. Parece que nem mesmo as perspectivas de lançamento oficial do Minha Casa Minha Vida 3 conseguem influenciar positivamente os empresários. O ISA e IE, específicos do segmento de edificações residenciais, registram quedas no mês, de 7,7% e 3%, respectivamente e de 39% e 21%, nessa ordem, desde dezembro.

Assim, a despeito das enormes carências do país na área habitacional e de infraestrutura, o principal fator que tem que limitado o crescimento das empresas é a demanda insuficiente.

O segundo fator que mais cresceu na percepção dos empresários foi a dificuldade de acesso ao crédito, refletindo o momento de crédito caro e escasso.

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Por outro lado, a despeito da inflação elevada, no que diz respeito aos custos setoriais, e mais especificamente ao custo da mão de obra, o item perdeu relevância assim como a escassez de mão de obra qualificada que caiu 21 pontos percentuais em um ano.

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